O Comitê de Política Monetária (Copom) decide a taxa básica de juros na quarta-feira sob pressão dentro e fora do governo para acelerar a velocidade de queda e cortar a taxa Selic em pelo menos 0,5 ponto porcentual. A pressão se acirrou depois que a cotação do dólar caiu abaixo dos R$ 2,00 e passou a alimentar avaliações sobre a necessidade de uma queda mais agressiva na Selic.

A avaliação de uma parcela do governo, porém, é que acelerar o corte da taxa não vai, por si só, estancar a entrada de dólares e reverter a trajetória de queda da moeda americana. O fato é que, mesmo que os juros tenham uma queda maior, eles continuarão bem acima das taxas internacionais e atraindo o abundante capital financeiro disponível.

Desde setembro de 2005, quando se iniciou o atual ciclo de flexibilização da política monetária, o diferencial de juros com o exterior diminuiu e, mesmo assim, a moeda brasileira continuou em trajetória de valorização. Enquanto a Selic caiu de 19,75% para 12,5% ao ano, as taxas de juros nos Estados Unidos subiram de 3,5% para 5,25% anuais e no Japão, de 0,10% para 0,5% ao ano. Ou seja, a diferença cai, mas continua enorme, sobretudo em relação ao Japão – cujos títulos concentram as operações internacionais de arbitragem de juros (carry trade). Nesse período, o dólar caiu 22%, de R$ 2,36 para R$ 1,93.