Os bancos esperam apertar as condições de crédito ainda mais no primeiro trimestre além do aperto já feito no quarto trimestre do ano passado como um resultado do aprofundamento da crise da dívida soberana, à medida que veem que suas condições de financiamento no atacado diminuíram um pouco devido a medidas extraordinárias adotadas pelo Banco Central Europeu (BCE), disse a autoridade monetária em sua pesquisa trimestral sobre empréstimo dos bancos.

Os bancos afirmaram que as tensões do mercado de dívida soberana provocaram uma “deterioração significante” em suas condições de financiamento através de restrições de balanço e gestão de liquidez no último trimestre de 2011, afirmou o BCE. As novas exigências regulatórias foram também um fator importante para as condições mais apertadas de crédito e continuará a representar um papel importante no aperto das condições dos bancos nos próximos meses, acrescentou a instituição.

A proporção de bancos que reportaram um aperto dos padrões de crédito mais do que dobrou em comparação com terceiro trimestre do ano passado. “Quanto maior for a proporção de bancos reportando um aperto das condições de crédito, mais provável será que o BCE afrouxe sua política monetária nos próximos meses”, afirmaram os economistas do Crédito Agricole Frederik Ducrozet e Slavena Nazarova.

Segundo a autoridade monetária, os bancos preveem alguma melhora no financiamento no atacado no primeiro trimestre, “refletindo potencialmente a efetividade antecipada das medidas extraordinárias tomadas pelo BCE”.

Os bancos da zona do euro reportaram que os riscos decorrentes da crise da dívida soberana, o escrutínio de mercado dos riscos de solvência dos bancos, bem como a perspectiva para uma piora do desempenho econômico contribuíram para o aperto dos seus padrões de crédito, disse o BCE na pesquisa.

Segundo o BCE, o aperto das condições de crédito ocorreu em toda a zona do euro, com exceção da Alemanha.

Olhando mais para frente, os bancos pesquisados pelo BCE disseram esperar uma queda “considerável” na demanda líquida por empréstimos imobiliários no primeiro trimestre deste ano, enquanto a demanda de consumidores deverá ficar inalterada.

A pesquisa foi realizada com 124 bancos da zona do euro entre 19 de dezembro e 9 de janeiro. As informações são da Dow Jones.