Uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Paraná pode fazer com que, nas próximas semanas, pelo menos 1,2 mil atendentes de telemarketing percam o emprego, em São José dos Pinhais.

A liminar, que obriga o Banco do Brasil (BB) a rescindir os contratos que mantém com duas empresas da área, a TMKT e a Mobitel, foi concedida em uma ação proposta pelo Ministério Público do Trabalho estadual (MPT-PR) em 2007. A intenção da ação era privilegiar concursados que desde 2003 aguardam contratação pelo banco.

“Muita gente aqui está desesperada”, conta o coordenador de call center Carlos Amazonas, que também está com o emprego ameaçado. De acordo com ele, os 825 funcionários da TMKT, que são a maioria que opera no BB, já receberam o aviso prévio no último dia 10. “Nenhum outro call center daqui terá condições de absorver tanta gente”, completa.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Paraná (Sinttel-PR), Eugênio Popenda Kuczera, lamenta que a entidade só tenha tomado conhecimento do caso recentemente.

“A ação nos pegou de surpresa. Agora estamos tentando um acordo para que ao menos as demissões sejam gradativas. Pelo menos não iria ter um impacto social tão grande”, informa.

Ele diz que a TMKT pode, ainda, reverter as demissões. A Mobitel, que tem 325 funcionários terceirizados no banco, ainda não teria feito nenhuma comunicação aos seus empregados.

Concursados

Para a procuradora do trabalho do MPT-PR, Eliane Lucina, as empresas tiveram pelo menos um ano para administrar a questão. A ação foi iniciada em janeiro de 2007 na Vara do Trabalho de São José dos Pinhais e a primeira decisão, que já determinava, liminarmente, o término dos contratos com as companhias terceirizadas, saiu em junho do ano passado. Ela foi revertida pelo Tribunal Superior do Trabalho, mas voltou a valer um ano depois.

“Foi um problema que as empresas criaram”, diz Lucina, explicando que os concursados têm direito de serem contratados, já que o banco optou por terceirizar mão-de-obra mesmo tendo dois concursos concluídos. Mesmo assim, a decisão que obrigou as rescisões acabou não determinando a contratação dos concursados.

A procuradora diz que ainda há possibilidade de acordo. Na próxima terça-feira (29) haverá uma reunião em Brasília entre o banco e a Procuradoria Geral do Trabalho.

A intenção é fazer com que o BB uniformize nacionalmente a política de terceirização. Segundo ela, também há recursos protocolados tanto pelo MPT-PR, como pelas empresas.