Nova York

(das agências) – Um grupo de grandes bancos internacionais prometeu, ontem, manter seu nível geral de negócios no Brasil, após um esperado encontro em Nova York com o presidente do banco Central, Armínio Fraga, e o ministro da Fazenda, Pedro Malan. A medida pode ajudar a impulsionar a confiança dos mercados financeiros em relação ao Brasil, apesar da incerteza em relação às eleições presidenciais de outubro.

Os 16 bancos, incluindo Citigroup, J.P. Morgan Chase e Deutsche Bank, afirmaram em um comunicado que estão comprometidos com o Brasil e seu programa econômico no longo prazo e prometeram manter os patamares gerais de linhas de crédito para empresas brasileiras.

Armínio Fraga disse que o comprometimento dos bancos representa um passo importante na reviravolta da confiança, fortemente abalada nos últimos meses por temores de investidores em relação à liderança nas pesquisas de candidatos da oposição. “Nós não esperamos que esse encontro seja uma solução por si só para todas as ansiedades lá fora”, disse Fraga a repórteres, na sede do Federal Reserve de Nova York, onde ocorreu o encontro entre os banqueiros e representantes do governo brasileiro. “Existe um nível de ansiedade substancial no ar”, acrescentou ele.

Os representantes de bancos estrangeiros divulgaram uma nota onde enfatizam que os princípios da economia brasileira “são sólidos”. Além disso, ressaltam que “as perspectivas fazem com que o País mereça apoio em razão dos esforços até agora dispendidos”.

Os bancos presentes à reunião responderam favoravelmente às apresentações e reiteraram o seu compromisso de longo prazo com o Brasil e seu apoio ao programa econômico do País.

As preocupações dos investidores de Wall Street em relação ao Brasil fizeram com que os títulos da dívida externa brasileira perdessem cerca de 20% do valor desde o início do ano. Nesse mesmo período, o real se desvalorizou perto de 25% em relação ao dólar.

Os investidores temem que o próximo presidente brasileiro não seja capaz de lidar com a dívida pública do país, de cerca de US$ 250 bilhões.

Sinal forte

O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, disse, depois de reunir-se com representantes de 16 bancos na sede do Federal Reserve de Nova York que o fato de os bancos terem dito que manterão os negócios, incluindo as atuais linhas de crédito, no Brasil “é o sinal mais forte possível que os bancos poderiam enviar.”

Segundo Fraga, alguns bancos deram indicações de que poderiam aumentar o grau de apoio ao Brasil. O presidente do BC observou, no entanto, que o governo brasileiro não espera que somente este encontro com os bancos seja suficiente para acalmar o mercado financeiro.

Balança supera previsões

O saldo da balança comercial brasileira acumulado neste ano até a semana passada atingiu US$ 5,064 bilhões, superando as expectativas iniciais do Governo que eram de US$ 5 bilhões até o final de 2002, graças, principalmente, à queda das importações. Este resultado, um dos melhores dos últimos anos, acontece apesar da queda, desde 1997, dos preços das matérias-primas e dos produtos agrícolas, en particular, soja, café, açúcar, minério de ferro, alguns dos mais importantes componentes da força de exportação do Brasil.

Com o aumento dos superávits, o Governo refez projeções trabalhando, agora, com a expectativa de saldo de US$ 7 bilhões até o final do ano.

Neste ano, as exportações atingiram US$ 35,7 bilhões e as importações US$ 30,7 bilhões. Neste mês, as vendas externas já acumularam US$ 4,5 bilhões e as compras US$ 3,2 bilhões, o que resultou num superávit de US$ 1,261 bilhão, o maior resultado mensal registrado desde janeiro. As exportações totalizaram, na última semana de agosto, US$ 1,436 bilhão, com uma média de US$ 287,2 milhões por dia útil, e as importações, US$ 1,006 bilhão, com média de US$ 201,2 milhões por dia útil, o que resultou em superávit de US$ 430 milhões. É o maior saldo semanal do mês de agosto, de acordo com os números divulgados nesta segunda-feira pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Dólar teve queda pequena

O dólar comercial fechou em baixa nesta segunda-feira. A moeda norte-americana encerrou o dia vendida por R$ 3,095 (compra a R$ 3,090) pela taxa do Banco Central. A queda em relação ao valor do fechamento de sexta-feira é de 0,64%.

No fim do dia, a moeda, que chegou a ser negociada abaixo de R$ 3,060, reduzia a baixa em relação a sexta-feira, apesar da venda de US$ 85 milhões pelo Banco Central.

O BC realizou ontem a venda de US$ 85 milhões de US$ 100 milhões postos sob leilão para o financiamento de exportações. Apesar de a venda não ter sido integral, a demanda apurada foi duas vezes maior do que a oferta, com taxa de 4,81%. O BC marcou outro leilão para tentar vender os US$ 15 milhões restantes.

Taxa de risco do Brasil cai

A taxa de risco do Brasil caía 4,2% às 16h30 desta segunda-feira. Medida pelo EMBI+ (Emerging Markets Bonds Index), índice apurado pelo banco J.P. Morgan com base nos valores dos títulos dos países emergentes, a taxa de risco do Brasil estava em 1.767 pontos básicos.

Isso significa que os títulos da dívida brasileira pagam 17,67 pontos percentuais acima do valor dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

O risco-país é o principal termômetro para medir a desconfiança dos investidores sobre um país. Ele cai (ou sobe) quase proporcionalmente à alta (ou queda) do valor dos títulos da dívida.