São Paulo – A manutenção dos juros altos deve garantir aos bancos uma nova rodada de lucros recordes neste segundo trimestre. Ao mesmo tempo, a oferta de crédito às pessoas e empresas, além dos custos proibitivos, continuará carregada de restrições e exigências de garantias.

Nos primeiros três meses do ano, quando a taxa Selic foi alçada aos atuais 26,5%, somente os quatro maiores bancos privados do país (Bradesco, Itaú, Unibanco e Banespa/Santander) registraram lucros 35% maiores que no mesmo período de 2002. Juntos, esses bancos embolsaram R$ 2,270 bilhões, contra R$ 1,677 bilhão no ano passado.

Esse dado consta de um estudo da ABM Consulting, que mostra ainda que, nesse período, enquanto as operações de crédito cresceram nominalmente 8,9%, o ganho com títulos e valores mobiliários dessas instituições cresceu 69,72%.

“Mantida as condições dos juros e de contenção do crédito teremos uma repetição dos altos ganhos dos bancos no trimestre”, disse o presidente da ABM Consulting, Alberto Borges Matias.

O aumento das receitas com os juros altos por meio das chamadas operações de tesouraria é uma repetição do que já ocorria em 2002, quando as turbulências econômicas fizeram o governo retomar a alta dos juros para segurar a disparada do dólar e da inflação. De acordo com Borges Matias, a forte concorrência existente entre os bancos, combinada com a retração dos tomadores de crédito – seja pela falta de perspectiva de investir numa economia estagnada, ou simplesmente pelos custos que os juros altos impõe aos financiamentos – tende a levar as instituições a suspenderem outros investimentos e concentrarem um volume ainda maior de recursos em papéis do governo.

“A tendência entre os bancos é cada vez mais concentrar suas operações na tesouraria, com grande preferência para os títulos públicos e o resultado disso é uma enorme transferência de renda do Tesouro para o sistema bancário”, concluiu o consultor.