aquecedor030905.jpgQuem não gosta, especialmente no inverno, de chegar em casa depois de um dia cansativo de trabalho e tomar um banho morno para relaxar e aliviar o estresse? Mas esse mesmo estresse que vai embora com a água do banho pode voltar no fim do mês quando chega a conta de luz. Tudo depende do tipo de aparelho utilizado para aquecer a água. O que fazer para se gastar menos?

No Brasil, o chuveiro elétrico ainda é uma das formas predominantes de aquecimento da água para banho e isso pode se refletir pesadamente no consumo de eletricidade de uma residência. Os principais fatores para explicar a utilização do aparelho são o baixo custo inicial (existem no mercado chuveiros elétricos que custam a partir de R$ 29), a facilidade de instalação (exige-se apenas a tubulação de água fria em PVC) e a fácil manutenção (substituição da resistência elétrica quando queima).

Mas grande parte dos consumidores ignora o quanto paga por esse conforto. O uso de chuveiro elétrico numa casa com quatro pessoas, por exemplo, é responsável por 30% do total da conta de luz. O impacto energético é maior quando o chuveiro elétrico é ligado no chamado horário de pico (o de maior demanda por energia), entre 18h e 19h. Esse intervalo é o período ?de ponta? do sistema elétrico do setor residencial, quando a maior parte dos brasileiros está com equipamentos elétricos ligados.

Dados da última pesquisa do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), coordenado pelo Ministério de Minas e Energia e executado pela Eletrobrás, indicam que entre 18h e 19h em 50% das residências brasileiras há pelo menos uma pessoa com o chuveiro ligado. Esse alto grau de utilização repercute diretamente no consumo de energia elétrica das regiões Sul e Sudeste, devido à grande concentração populacional delas. Juntas, as regiões representam cerca de 90% do total de energia elétrica consumida no aquecimento de água em chuveiros elétricos.

Ainda de acordo com dados do Procel, o setor residencial responde por 18% do consumo total de energia elétrica no País e o aquecimento de água para banho é responsável por 8% de todo o consumo nacional de energia elétrica. No horário de pico (entre 18h e 19h), esse percentual sobe para 18% do consumo. Apesar do consumo relativamente elevado de energia, o chuveiro elétrico, por sua praticidade de instalação e baixo custo de aquisição, não pode ser descartado. Para minimizar as surpresas no fim do mês, o consumidor deve deixar a chave na posição ?verão? quando não estiver fazendo frio. Outra medida eficaz para evitar o desperdício de eletricidade (e de água) é fechar a torneira ao se ensaboar e, também, reduzir o tempo do banho. Quem tem chuveiro elétrico deve usar resistências originais, verificando a potência e a voltagem corretas do aparelho. Fazer emendas ou adaptações pode ter conseqüências desastrosas, como por exemplo danos às instalações elétricas.

Energia termossolar é alternativa ecológica

Uma alternativa ecologicamente mais correta seria o uso da tecnologia termossolar, que consiste na utilização da energia do sol no aquecimento da água por meio de coletores solares planos (painéis solares). Mesmo com o tempo nublado, o aquecedor solar funciona graças a um ?boiler? (reservatório em que a água é represada e mantida em determinada temperatura). E, se ainda assim, o tempo ruim se prolongar por vários dias, o consumidor pode em alguns casos lançar mão de um dispositivo elétrico que aquece a água.

Considerando que o Brasil tem uma média anual de 280 dias de sol, o território brasileiro recebe anualmente 10 trilhões de megawatts-hora (MWh) de energia, o que pode possibilitar retornos relativamente rápidos e garantidos para os usuários de aquecedores solares e substituir definitivamente toda a energia proveniente de hidroeletricidade utilizada pelo chuveiro elétrico.

A revendedora de aquecedores solares Soletrol garante que, nos últimos 12 meses, as vendas subiram cerca de 40%. A desvantagem é que os equipamentos estão longe de ser baratos. Um aquecedor com capacidade de 125 litros, ideal para uma família de três a quatro pessoas, custa R$ 800. Já quem tem uma família maior, com até cinco pessoas, e faz uso de água quente na cozinha ou tem uma banheira de hidromassagem, precisa de um aquecedor de capacidade de 400 litros, que sai por R$ 2,5 mil. O preço é elevado, mas a contrapartida pode ser sentida na conta de luz. ?Se comparado com um equipamento elétrico, o solar traz uma redução de 50% na conta de energia no final do mês?, explica Marcos Luciano, gerente comercial da Soletrol em São Paulo.

As vantagens da utilização da tecnologia termossolar no mercado brasileiro repercutem diretamente em benefícios socioambientais, na geração de empregos, na economia nacional de energia elétrica, além de permitirem a redução no valor da conta de luz. Como forma de incentivar a tecnologia termossolar o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, da Eletrobrás, incluiu a categoria dos aquecedores solares dentro do Selo Procel de eficiência energética, concedido aos aparelhos com melhor desempenho e menor consumo de energia. Além de fazer a etiquetagem, desenvolvida em parceria com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), o Procel tenta mudar o conceito cultural do brasileiro em relação ao uso dos aquecedores solares, capacitar profissionais e apoiar instituições financeiras a liberarem financiamento para os consumidores interessados em comprar coletores solares.

Aquecedor é ideal para a população mais pobre

No Brasil, a falta de conhecimento em relação aos aquecedores e a baixa renda da maior parte da população dificultam a ampliação do uso desse tipo de equipamento. Pesquisadores brasileiros, da Sociedade do Sol, uma organização não governamental (ONG) socioambiental atuante no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) da Universidade de São Paulo (USP), desenvolvem projetos de modelos de aquecedores solares para populações de baixa renda.

A pesquisa foi adaptada às condições meteorológicas e habitacionais brasileiras, e também aos hábitos nacionais, distintos daqueles da população de países do primeiro mundo. Essa adaptação é importante porque as técnicas de fabricação usadas nos aquecedores solares nacionais são, geralmente, baseadas na tecnologia desenvolvida por países de primeiro mundo. Assim, o projeto leva em conta a constante presença do sol e as temperaturas médias diárias altas (permitindo coletores muito simples), a existência das caixas de água (implicando em baixas pressões e equipamentos simples e baratos), a difusão do chuveiro elétrico e o hábito de amplas camadas da população brasileira de construir suas próprias casas.

O objetivo desse grupo de pesquisadores é oferecer a cada família, o mais rapidamente possível, a possibilidade de ter seu aquecedor solar, montado pelo sistema ?faça-você-mesmo? com materiais de fácil obtenção nas lojas de construção civil. Do ponto de vista social, o projeto incentiva maior cidadania e auto-estima para as famílias que se envolvem em sua implementação. Elas podem orgulhar-se de produzir energia de forma autônoma, com parcial independência de empresas distribuidoras de eletricidade.