Uma combinação de baixo crescimento econômico e deterioração fiscal pode levar o Brasil a ser rebaixado pelas agências de classificação de risco até o começo de 2014, prevê o Barclays. O banco reduziu novamente nesta segunda-feira, 17, as previsões de alta do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, para 2,3% este ano e 2,7% em 2014. A previsão anterior do Barclays era de que o País cresceria 2,5% este ano e 3,5% no próximo. A justificativa para a nova redução é a expectativa de consumo crescendo pouco e atividade industrial de lado.

A postura mais firme do Banco Central, que elevou os juros em 0,50 ponto porcentual em maio para combater a inflação, foi bem-vinda, mas não é suficiente para melhorar o ambiente econômico, avalia o Barclays. Apenas uma estratégia de maior austeridade fiscal ajudaria a evitar um rebaixamento do rating soberano brasileiro e a trazer de volta o investidor estrangeiro, avaliam os economistas do banco Guilherme Loureiro e Marcelo Salomon em um relatório nesta segunda-feira, 17.

Com o rebaixamento em um nível no rating brasileiro, o País ainda continuaria sendo classificado como “grau de investimento”, mas teria algumas consequências imediatas, incluindo um estresse no mercado financeiro. O Barclays prevê que o real seguiria sob pressão e o prêmio de risco pago nos derivativos para proteção de calotes dos títulos soberanos emitidos pelo Brasil (os chamados CDS) subiria.

“O crescimento econômico não decola e a inflação permanece alta”, destaca o relatório. A alta dos preços, ao comprometer o poder de compra das famílias, afetando desta forma a popularidade da presidente Dilma Rousseff, fez o governo priorizar o combate à inflação. O Barclays revisou a previsão de alta da Selic e agora espera a taxa em 9,25% em outubro, o que equivale a mais duas alta de 0,50 ponto nos juros e outra de 0,25.

Se a política monetária ficou mais amigável ao mercado, o mesmo não ocorre pelo lado fiscal e o Barclays espera que a situação piore. Em meio às eleições presidenciais de 2014, será muito mais complicado um controle de gastos públicos, destacam os economistas. Por isso, o banco reduziu as projeções de superávit primário para 2013 e 2014. Neste ano, baixou de 1,7% para 1,4% do PIB e para o próximo, de 1,6% para 1,1%.