O setor de bares e restaurantes tem contribuído para a geração de empregos no País. Atualmente, 4,5 milhões de pessoas trabalham nessa área e a expectativa é gerar mais 150 mil novos postos de trabalho em 2005. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurante (Abrasel), o número de empregos gerados pelo segmento representa 8% do total de postos no Brasil. O balanço das atividades do setor foi divulgado ontem, em Curitiba.

O número de empregos está ligado ao desempenho apresentado perante o mercado. O presidente da associação, Paulo Solmucci, informa que os bares e restaurantes movimentaram cerca de R$ 13,5 bilhões em 2004. O crescimento foi de 6% em relação a 2003 e a entidade espera que o setor cresça ainda mais neste ano. "O ano passado ainda não foi o ano do setor de bares e restaurantes, mas houve um crescimento da atividade. Com a retomada da renda e o aumento de empregos, estimamos um aumento de 50% acima do índice previsto para o crescimento do País em 2005, que gira entre 5% e 6%", afirma.

Solmucci explica que 25% dos gastos dos brasileiros com alimentação está concentrada nos restaurantes e bares, o que deixa o setor fortalecido. A expectativa da Abrasel é de que a despesa aumente 1% ao ano e, daqui a 15 anos, 40% da verba para alimentação de cada brasileiro será depositada no segmento. "Para atender a tudo isso, precisamos treinar e qualificar o setor. O poder público deve nos ajudar a conseguir desenvolver ainda mais", aponta. A associação está investindo na profissionalização das pessoas que atuam na área. Nos próximos dois anos, a Abrasel vai aplicar R$ 25 milhões em treinamentos em parceria com o Sebrae e ministérios do Turismo e do Trabalho.

De acordo com Solmucci, o investimento também enfoca a segurança alimentar, uma das maiores preocupações em relação aos bares e restaurantes. "Estamos começando, mas ainda é pouco. Precisamos melhorar a educação do profissional, a higiene pessoal, a manipulação dos alimentos e a aquisição dos equipamentos apropriados para a conservação. Queremos um desenvolvimento que resulte em uma segurança alimentar mais efetiva", salienta.

Curitiba

O presidente da regional Paraná da Abrasel, Bruno Draghi, revela que 50 mil pessoas estão empregadas em bares e restaurantes na Região Metropolitana de Curitiba. Estima-se que existam cinco mil estabelecimentos nessa área. Ele espera que o Paraná também apresente um bom crescimento em movimentação e geração de empregos neste ano.

Segundo Draghi, o grande problema paranaense é o pouco conhecimento do setor. Ele diz que muitas pessoas entram no ramo de bares ou restaurantes com grandes expectativas e esquecem que é fundamental ter uma estrutura de manutenção. "O setor atrai muito investimento porque todo mundo acha que a alimentação é prioridade na vida das pessoas e, por isso, obterá sucesso. Mas quando já estão dentro, os investidores percebem que a atividade é indústria, comércio e prestação de serviço ao mesmo tempo. E ainda há o agravante de os restaurantes lidarem com produtos perecíveis e sem a formação profissional adequada", opina.

O evento de ontem também marcou o lançamento do 17.º Congresso Nacional da Abrasel, que será realizado entre 2 e 5 de agosto no Estação Embratel Convention Center, em Curitiba. A associação investirá R$ 1 milhão para a promoção do encontro. A expectativa é receber cerca de 20 mil visitantes nos quatro dias do congresso.

Bares não são os responsáveis

O secretário municipal de Turismo, Luiz Carlos de Carvalho, criticou ontem a medida sugerida pelo governo do Estado em determinar horário de fechamento dos bares para evitar casos de violência. A declaração foi feita durante a apresentação do balanço anual da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Segundo o secretário, os bares não são culpados pela falta de segurança. "O poder público deve avaliar a importância da geração de emprego e renda que o setor traz. Era melhor avaliar a situação do que limitar o funcionamento do setor", afirmou. Quando Carvalho discursou sobre este assunto, foi aplaudido pela platéia.

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, disse que "se há problema de segurança, ele não vem dos bares e restaurantes. Vem de uma economia mal preparada e do desemprego. Não se pode pegar o setor para isso. Tem é que gerar desenvolvimento. O que precisamos é um acompanhamento e entendimento do setor", completou. (JC)