Banana e batata tiveram aumento
significativo em abril.

Curitiba fechou o mês de abril com a maior variação da cesta básica entre as 16 capitais pesquisadas: 1,20%. A batata e a banana foram as principais vilãs, com alta de 21,95% e 16,54%, respectivamente. O índice é também o maior desde novembro do ano passado, quando a variação foi de 2,22%. No ano, a cesta básica em Curitiba está acumulada em -1,82%, e nos últimos 12 meses, em -8,24%.

A capital paranaense tem a quarta cesta básica mais cara do país, ao custo de R$ 156,29. A alimentação para uma família curitibana, composta por um casal e duas crianças, custou R$ 468,87 em abril. Para o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o salário mínimo para suprir as necessidades básicas – alimentação, saúde, educação, lazer, entre outras – é de R$ 1.386,17.

De acordo com o economista Sandro Silva, do Dieese-PR, se não tivesse havido a alta da batata e da banana, a cesta básica em Curitiba fecharia o mês com deflação de 0,67%. “Os dois itens puxaram o preço da cesta para cima”, afirmou. A banana subiu, segundo o economista, por conta da redução da oferta do produto em Santa Catarina e São Paulo. Também o aumento da exportação contribuiu para a redução da oferta no mercado interno. A alta também pode ser entendida como uma recuperação de preço; é que em março, o produto registrou queda de 21,16%. A dúzia passou de R$ 1,45 para R$ 1,69.

Já a alta da batata se deve ao período de entressafra, segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Maurício Tadeu Lunardon. De acordo com Lunardon, existem dois picos da produção, um em janeiro (batata das águas) e outro em junho (batata da seca). Lunardon explicou ainda que a batata também está na entressafra em outros estados produtores como São Paulo e Minas Gerais. Segundo ele, o aumento de preço nesta época do ano é algo normal. Conforme dados do Dieese-PR, o pico do preço da batata aconteceu em maio de 2003, quando o quilo chegou a custar R$ 1,78. Em março o quilo da batata custava R$ 0,82 e passou para R$ 1,00 o quilo em abril.

Queda em cinco itens

Dos 13 itens que compõem a cesta básica, apenas cinco tiveram queda de preço no mês passado. A maior redução ocorreu no quilo de tomate, cujo preço caiu 13,91%, passando de R$ 1,15 para R$ 0,99. Segundo Sandro Silva, a tendência de queda já era esperada. No ano passado, o tomate figurou como o vilão da cesta em diversas ocasiões. Além do tomate, tiveram queda o açúcar (-9,39%), manteiga (-2,79%), farinha de trigo (-1,54%) e pão (-0,49%). A alta ficou por conta da batata, banana, café (3,85%), feijão (3,09%), óleo de soja (2,62%), leite (1,79%), arroz (0,93%) e carne (0,47%).

Para o mês de maio, segundo Sandro Silva, a variação deve ficar a cargo do comportamento da carne – item que mais pesa na cesta básica (37%). “A tendência é que o preço da carne suba ainda mais”, prevê. Em março, a carne subiu 0,92% e em abril, 0,47%. Em valores, o quilo passou de R$ 8,69 para R$ 8,73. Para Sandro, o comportamento da batata e da banana podem contrabalançar a cesta este mês.

Cenário nacional

A cesta básica registrou queda em 12 das 16 capitais pesquisadas, segundo o Dieese. Além de Curitiba, apenas Belém, Recife e Porto Alegre fecharam o mês com alta. Já a redução percentual mais expressiva foi registrada em Fortaleza (-4,46%), onde a cesta custa R$ 137,23. Esse valor é bem menor do que o registrado na capital paulista, que teve pelo segundo mês consecutivo o maior custo para os gêneros alimentícios essenciais (R$ 165). Nas demais localidades, o custo da cesta foi inferior a R$ 160. Os menores valores foram apurados em João Pessoa (R$ 136,47), Fortaleza (R$ 137,23) e Salvador (R$ 137,25).