São Paulo (AE) – Após um mês de demanda atipicamente forte em janeiro, o vice-presidente de varejo e distribuição do Banco do Brasil, Edson Monteiro, disse que a concessão de crédito continua forte em fevereiro. "A demanda é crescente em algumas linhas", revelou Monteiro, ao fazer um balanço das operações até a última terça-feira, com nove dias úteis.

As operações de crédito consignado continuam sendo o grande destaque do banco, assim como ocorreu no mês passado. Nas operações para trabalhadores, o BB emprestou R$ 142 milhões em janeiro, contra uma média mensal de R$ 130 milhões entre outubro e dezembro. O desempenho de dezembro foi recorde, com R$ 230 milhões. Monteiro informou que a demanda em fevereiro está "bem forte", com R$ 86 milhões até a última terça-feira, dia 15.

Já nas operações de crédito consignado para aposentados, o volume em janeiro foi de R$ 47 milhões, contra R$ 42 milhões em dezembro. Neste mês, as operações somam R$ 28 milhões. No mês passado, a linha de crédito do BB para a compra de material de construção alcançou R$ 60 milhões, contra R$ 58 milhões em dezembro. Até o dia 15, já foram fechadas operações que somam R$ 30 milhões. As operações médias são de R$ 2 mil.

Nas operações de microcrédito para clientes de baixa renda, com renda de até dois salários mínimos, o BB fechou 101 mil operações em janeiro, contra 97 mil no mês anterior, com volumes respectivos de R$ 50 milhões e R$ 47 milhões. Segundo Monteiro, já fo ram fechadas 61 mil operações (R$ 30 milhões) neste mês.

Monteiro destacou também o crescimento da linha de Consórcio Popular, que foi lançado no 2.º semestre de 2004, mas que passou a ser prioridade de negócios no mês passado. Até janeiro, foram vendidas 130 mil cotas. Neste mês, o saldo já chega a 162 mil cotas, com um crescimento de 32 mil cotas. A arrecadação desta linha alcança R$ 20 milhões ao mês.

Juros

Após o sexto aumento seguido da taxa básica de juros, que subiu ontem para 18,75% ao ano, o vice-presidente de varejo e distribuição do Banco do Brasil, Edson Monteiro, disse que o banco estuda aumentar as taxas cobradas nas operações de crédito ao consumo. O último ajuste foi feito em novembro, mas não para todas as linhas. Nos últimos dois meses, o BB manteve as taxas cobradas e a demanda do consumidor foi muito forte.

"Até para seguirmos a linha e a orientação da autoridade monetária, temos de sinalizar restrição ao crédito", disse Monteiro. O Banco do Brasil ainda não decidiu se aumentará suas taxas, mas está estudando essa possibilidade. O diretor admitiu que a demanda crescente por crédito é "um paradoxo" aos atuais objetivos da política monetária do BC.

Uma eventual elevação dos juros não terá um impacto forte na demanda, segundo Monteiro. "O cidadão que tem o desejo ou a necessidade de consumir vai continuar tomando crédito", afirmou.

No momento, as linhas de crédito consignado e de microcrédito são as que mais atraem os consumidores até porque têm taxas mais baixas do que linhas tradicionais, como o crédito pessoal das financeiras, o cheque especial ou o parcelamento do cartão de crédito. Mesmo que o BB suba os juros dessas taxas, elas continuariam mais baratas do que outras, atraindo a demanda.