Após encostar em R$ 4,25, o dólar comercial inverteu a tendência e passou a cair, fechando esta quinta-feira (24) com queda de 3,73%, a R$ 3,991 na venda.

Esta foi a primeira queda da cotação depois de cinco sessões consecutivas de alta da moeda norte­americana, que nesta semana superou a marca histórica de R$ 4.

O mercado futuro de juros também terminou a sessão com as taxas em baixa, após variações intensas no decorrer do dia.

Os mercados de câmbio e juros tiveram dois momentos completamente distintos nesta quinta­feira. Pela manhã, o mercado cedeu à aversão ao risco e levou o dólar à máxima de R$ 4,248 (+2,73), em meio ao pânico nas mesas de operações. Nos negócios com juros
futuros na BM&FBovespa, as taxas dispararam e alguns vencimentos dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) atingiram o limite máximo de oscilação, tendo as negociações interrompidas.

O movimento de alta teve forte componente especulativo, uma vez que os investidores repercutiam a aparente ineficácia das medidas do Banco Central e do Tesouro Nacional para conter o avanço do dólar e dos juros em meio às crises política e econômica. O movimento de virada começou ainda pela manhã, a partir de declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação do BC.

Tombini sinalizou que não haverá aumento da Selic por um período prolongado e garantiu que BC e Tesouro têm instrumentos adequados para conter as turbulências dos mercados. A fala de Tombini afastou as especulações de que a autoridade monetária poderia
promover um choque de juros, o que teve impacto positivo no mercado de taxas. Também afastou os comentários de que o BC não estaria disposto a usar as reservas cambiais vendendo dólares no mercado à vista para conter o avanço das cotações ­ outro fator de
tensão no mercado.

Dólar e juros perderam força imediatamente às declarações de Tombini, reforçadas mais adiante pelo diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu Pereira. A reação não foi maior devido aos ruídos no cenário político, com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha
(PMDB­RJ), voltando a defender a não participação do PMDB no governo. A presidente Dilma Rousseff, que anunciaria hoje a reforma ministerial, adiou a medida para a próxima semana, justamente devido às dificuldades com os partidos da base, especialmente o PMDB de Cunha.

A inversão de tendência foi definida no início da tarde ­ com dólar e juros em queda ­ e foi consolidada com o anúncio da realização de leilões diários de compra e venda de títulos pelo Tesouro.

A instituição adotará, entre 25 de setembro e 2 de outubro, um programa diário de venda e compra de NTN­F. Adicionalmente, será realizado leilão de venda de LFT com vencimento em 1º de setembro. De acordo com o Tesouro, o objetivo do programa é fornecer suporte e liquidez ao mercado de títulos públicos.

Na prática, a iniciativa do Tesouro busca reduzir a pressão no mercado de juros que, por sua vez, vinha afetando também as cotações do dólar. O anúncio dos leilões aprofundou a queda das taxas, que mergulharam, levando a um novo travamento dos negócios ­ desta vez na ponta contrária à observada pela manhã.

Todos os principais vencimentos de DI a partir de janeiro de 2017 terminaram o call de fechamento no limite de oscilação, com queda de 80 pontos­base. O juro para janeiro de 2017 terminou na mínima de 15,67%, de 16,47% no ajuste anterior e de 17,27% na máxima intraday. O DI para janeiro de 2018 acabou em 16,05%, de 15,85% ontem e depois de tocar no limite máximo, pela manhã, de 17,65%. A taxa para janeiro de 2019 ficou na mínima de 16,12%, ante 16,92% no ajuste da véspera e de 16,72% mais cedo.,