O Banco Central informou ter pago US$ 2,04 bilhões ao FMI (Fundo Monetário Internacional) ontem e vai repassar mais US$ 13,40 bilhões hoje, quitando, dessa forma, todas as dívidas remanescentes com o Fundo. De acordo com decisão do Ministério da Fazenda anunciada no último dia 13, o governo brasileiro decidiu utilizar as reservas internacionais para pagar neste mês todos os débitos que possuía com o FMI, que venceriam até o final de 2007. A data do pagamento, entretanto, ainda não havia sido definida.

Do total a ser pago ao FMI, 59% (US$ 9,09 bilhões) serão pagos em dólares, 25% (US$ 3,94 bilhões) em euros, 9% (US$ 1,34 bilhão) em ienes e 7% (US$ 1,07 bilhão) em libras esterlinas.

Com o pagamento, o governo espera economizar US$ 900 milhões em juros dessa dívida que seriam acrescentados ao montante a ser pago nos próximos dois anos.

?O pré-pagamento ao FMI representa um momento histórico ao país e reflete a melhora significativa dos fundamentos macroeconômicos no período recente como conseqüência das decisões de política econômica tomadas pelo governo?, comemorou o presidente do BC, Henrique Meirelles, ao anunciar o pagamento antecipado.

O Brasil tem reduzido seu endividamento com o FMI desde novembro de 2003, quando os débitos junto ao organismo atingiram seu ponto máximo: US$ 33,7 bilhões.

Mesmo com o pagamento, as reservas internacionais brasileiras deverão continuar acima de US$ 50 bilhões.

O governo tem encontrado facilidade para comprar dólares no mercado à vista para fortalecer as reservas devido ao superávit comercial recorde deste ano, que deve totalizar US$ 44 bilhões.

O Ministério da Fazenda também informou que o pagamento antecipado ao FMI não altera o ?bom relacionamento entre o Brasil e a instituição?.

?Além disso, o Brasil dará prosseguimento ao diálogo sobre a conveniência de desenvolver mecanismos que fortaleçam a arquitetura financeira mundial e amenizem os impactos de choques sobre a conta de capital das economias abertas?, disse em nota distribuída no dia 13.