São Paulo

(AG) – Após uma venda de dólares pelo Banco Central, confirmada pelo presidente da instituição, Armínio Fraga, a moeda americana cedeu, mas voltou a subir. O dólar comercial fechou ontem em alta de 1,91%, cotado a R$ 2,710 na compra e R$ 2,715 na venda. Na mínima do dia, a moeda americana foi vendida a R$ 2,649 pela manhã, com redução de 0,56% sobre o fechamento de ontem. À tarde, o dólar bateu R$ 2,722, com alta de 2,17%. Também pressionada pela turbulência no câmbio, Puxada pela alta de 1,91% do dólar, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,97%, com 11.821 pontos e volume financeiro de R$ 465,3 milhões.

A intervenção do Banco Central, que chegou a vender entre US$ 15 milhões e US$ 30 milhões, segundo Fábio Fender, gerente de câmbio da corretora Liquidez, não foi suficiente para conter a alta, provocada pela compra de dólares pelas empresas para pagamento de dívidas no exterior. Segundo ele, ‘o Banco Central opera sozinho, sem nenhum parceiro para vender’. No mercado futuro, o dólar comercial era negociado a R$ 2,728, com alta de 1,98%. Na última atuação, realizada na sexta-feira, o BC colocou US$ 10 milhões.

Luiz Roberto Monteiro, analista da Corretora Souza Barros, disse que as empresas devem enviar ao exterior até esta quarta-feira entre US$ 220 milhões e US$ 250 milhões para pagamento de dívidas. Duas grandes empresas estavam compradoras, segundo os operadores. Esse movimento, no entanto, já era esperado pelo mercado. Copom O mercado deve continuar atento às decisões do BC na reunião do Comitê de Política Monetária (BC), que definirá o futuro da Selic, a taxa básica de juros.

O mercado ainda não está confiante na queda dos juros. Os investidores apostam na manutenção da Selic, sem viés. A taxa básica está em 18,5% ao ano. Na reunião de maio do Copom, também foi levado em consideração a situação do risco-país, que cresce a cada movimento negativo do mercado brasileiro. Por causa da turbulência do mercado, o BC cancelou o leilão de Letras do Tesouro Nacional (LTNs) que costuma fazer às terça-feiras. O BC terminou a operação de troca de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) iniciada na segunda-feira. Das 3,650 milhões LFTs ofertadas, o BC aceitou propostas para 3,217 milhões de papéis. Este montante equivale a um volume financeiro de R$ 4,4 bilhões.