O Banco do Povo da China (PBOC) planeja anunciar novas medidas para injetar liquidez no sistema, com o objetivo de aumentar a concessão de empréstimos bancários, de acordo com funcionários e conselheiros do banco central. A iniciativa, que envolve cortar os depósitos que os bancos são obrigados a manter em reserva, seria um sinal de que as movimentações cambiais organizadas pelo BC da China nas últimas duas semanas foram frustradas, obrigando-o a recorrer às mesmas medidas de flexibilização que até agora falharam em ajudar a estimular a atividade econômica.

As fontes disseram que o esforço pode ser anunciado antes do final deste mês ou no início do próximo mês. A ação implicaria em uma redução de meio ponto porcentual no compulsório bancário, disseram, podendo liberar 678 bilhões de yuans (US$ 106,2 bilhões) em capital para os bancos transformarem em empréstimos.

Esta poderá ser a terceira redução geral na exigência de reserva neste ano. Outra opção que está sendo considerada pelo PBOC é concentrar o corte apenas para bancos que concedem um grande volume de empréstimos para empresas pequenas e privadas. O grupo de companhias é considerado estratégico para o crescimento futuro da China. No entanto, medidas direcionadas como esta não se mostraram eficazes no passado para canalização de crédito para os mutuários.

Em 11 de agosto, o PBOC organizou uma queda de quase 2% na taxa oficial do yuan fixada pelo banco central em relação ao dólar, o que resultou em uma baixa de 4% na taxa de mercado da moeda, a mais acentuada em duas décadas. O banco central afirmou que a desvalorização da moeda estava em linha com seu esforço para deixar a taxa de câmbio mais orientada pelo mercado, tendo em vista que os investidores passaram a esperar um enfraquecimento do papel local.

Mas a desvalorização ocorreu em um momento de perdas no mercado de ações, o que já refletia a falta de esperança dos investidores na capacidade do governo de gerir a economia. E, diante de temores sobre um aprofundamento da desaceleração econômica, o yuan se manteve em tendência negativa. Com isso, o PBoC tem recorrido a uma estratégia que dissera, anteriormente, que usaria menos: a intervenção direta para controlar o valor do yuan.

A última interferência envolveu a venda de dólares e compra de yuan para segurar a moeda chinesa. Analistas da Orient Securities, uma corretora de Xangai, estima que o banco central gastou mais de US$ 40 bilhões, dos US$ 3,6 bilhões de reserva em moeda estrangeira da China, na intervenção cambial. Como as medidas efetivamente drenaram fundos em yuan do mercado, o PBOC injetou na última semana capital de curto a médio prazo no sistema financeiro para compensar o aperto de liquidez. Fonte: Dow Jones Newswires.