A taxa média de juros no crédito livre caiu de 43,6% ao ano em outubro para 42,7% ao ano em novembro, informou nesta sexta-feira, 22, o Banco Central (BC). Em novembro de 2016, essa taxa estava em 54,1% ao ano.

Para pessoa física, a taxa média de juros no crédito livre passou de 59,5% para 58,1% ao ano, de outubro para novembro, enquanto para pessoa jurídica foi de 23,3% para 22,9% ao ano.

Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa seguiu em 323,7% ao ano de outubro para novembro. Para o crédito pessoal, passou de 49,1% para 47,4% ao ano.

Para veículos, os juros foram de 22,5% para 22,1% ao ano, de outubro para novembro.

A taxa média de juros no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), desacelerou de 27,4% ao ano em outubro para 26,8% ao ano em novembro. Em novembro de 2016, estava em 33,2%.

Estoque

O estoque total de operações de crédito do sistema financeiro subiu 0,4% em novembro ante outubro, para R$ 3,063 trilhões. Em 12 meses, houve baixa de 1,3% e, no acumulado deste ano, queda de 1,4%.

Houve aumento de 0,8% no estoque para pessoas físicas em novembro ante outubro e queda de 0,2% para pessoas jurídicas.

De acordo com o BC, o estoque de crédito livre subiu 1,0% em novembro, caiu 0,2% no acumulado do ano e aumentou 0,3% em 12 meses.

No caso do direcionado, o estoque cedeu 0,3% em novembro, caiu 2,5% no ano e teve baixa de 2,9% em 12 meses.

No crédito livre, houve alta de 1,2% no saldo para pessoas físicas no mês passado. Para as empresas, o estoque subiu 0,7% no período.

O BC informou ainda que o total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) passou de 46,9% em outubro para 47,0% em novembro.

Inadimplência pessoa física

A taxa de inadimplência no crédito livre passou de 5,4% em outubro para 5,3% em novembro. Para pessoa física, a taxa de inadimplência foi de 5,6% em outubro para 5,4% em novembro. Para as empresas, a taxa passou de 5,2% para 5,1%.

A inadimplência do crédito direcionado passou de 1,9% em outubro para 1,8% em novembro.

Já o dado que considera o crédito livre mais direcionado mostra que a taxa de inadimplência permaneceu em 3,6%.

No cheque especial, o volume de calotes passou de 14,8% em outubro para 14,2% em novembro.

No caso de aquisição de veículos por pessoas físicas, o volume de calotes seguiu em 3,8%. No cartão de crédito, passou de 6,8% para 6,5% no período.

Veículos

O estoque de operações de crédito livre para compra de veículos por pessoa física avançou 1,2% de outubro para novembro, para R$ 147,876 bilhões, informou. No acumulado de 12 meses até o mês passado, a alta nesse tipo de crédito é de 3,0% e, em 2017, o avanço também é de 3,0%.

As concessões acumuladas para financiamento de veículos para pessoas físicas subiram 2,5% em novembro, para R$ 8,218 bilhões. No ano, a alta é de 22,8% e, em 12 meses, o avanço é de 20,7%.

Spread

O spread bancário médio no crédito livre caiu de 35,2 pontos porcentuais em outubro para 34,2 pontos porcentuais em novembro.

O spread médio da pessoa física no crédito livre foi de 50,7 para 49,1 pontos porcentuais no período. Para pessoa jurídica, o spread médio recuou de 15,5 para 15,1 pontos porcentuais.

O spread médio do crédito direcionado passou de 4,6 pontos porcentuais em outubro para 4,3 pontos porcentuais em novembro.

Já o spread médio no crédito total (livre e direcionado) passou de 20,5 para 20,0 pontos porcentuais no período.

Habitação

As operações de crédito direcionado para habitação no segmento pessoa física cresceram 0,3% em novembro ante outubro, totalizando R$ 563,438 bilhões. De acordo com o Banco Central (BC), R$ 63,313 bilhões se referem a empréstimos a taxas de mercado e R$ 500,125 bilhões a taxas reguladas.

No ano até outubro, o crédito para habitação no segmento pessoa física subiu 5,4% e, em 12 meses, avançou 6,6%.

Serviços

O saldo de crédito para as empresas do setor de serviços subiu 0,6% em novembro ante outubro, para R$ 694,019 bilhões. A indústria apresentou baixa de 0,9%, para R$ 677,634 bilhões, e a agropecuária registrou retração de 0,6%, para R$ 22,684 bilhões.

No caso do crédito para pessoa jurídica com sede no exterior e créditos não classificados (outros), a baixa no saldo foi de 3,0% em novembro ante outubro, para R$ 28,999 bilhões.

Rotativo

O juro médio total cobrado no rotativo do cartão de crédito caiu 4,2 pontos porcentuais de outubro para novembro. Com isso, a taxa passou de 338,0% em outubro para 333,8% ao ano em novembro. Este recuo da taxa do rotativo acontece após a instituição de novas regras de migração da modalidade em abril.

O juro do rotativo é a taxa mais elevada desse segmento e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo BC. Dentro desta rubrica, a taxa da modalidade rotativo regular passou de 221,1% para 218,3% ao ano de outubro para novembro. Neste caso, são consideradas as operações com cartão rotativo em que houve o pagamento mínimo da fatura.

Já a taxa de juros da modalidade rotativo não regular passou de 413,6% para 410,4% ao ano. O rotativo não regular inclui as operações nas quais o pagamento mínimo da fatura não foi realizado.

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 167,0% para 168,5% ao ano.

Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 76,4% para 73,9% de outubro para novembro.

Em abril, começou a valer a nova regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra é permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recue, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado.

Endividamento das famílias

O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro ficou em 41,4% outubro, mesmo porcentual verificado em setembro. Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento passou de 22,9% para 23,0% no período.

O cálculo do BC leva em conta o total das dívidas dividido pela renda no período de 12 meses. Além disso, incorpora os dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (Pnad) contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambas do IBGE.

Segundo o BC, o comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) passou de 20,5% de setembro para 20,4% em outubro. Descontados os empréstimos imobiliários, o comprometimento da renda foi de 17,9% para 17,8% no período.

Indicador de Custo de crédito

O Indicador de Custo do Crédito (ICC) caiu 0,1 ponto porcentual em novembro ante outubro, para 21,7% ao ano. Houve baixa de 0,2 ponto porcentual no caso de pessoas físicas, para 27,4% ao ano, e estabilidade no caso de empresas, em 15,5% ao ano.

O ICC é o mais recente indicador de crédito do Banco Central, que passou a ser publicado na Nota de Política Monetária e Operações de Crédito da instituição. O porcentual do indicador reflete o volume de juros pagos, em reais, por consumidores e empresas no mês, considerando todo o estoque de operações, dividido pelo próprio estoque. Na prática, é um indicador que reflete a taxa de juros média efetivamente paga pelo brasileiro nas operações de crédito contratadas no passado e ainda em andamento.

Considerando apenas o crédito com recursos livres, o ICC caiu 0,4 ponto porcentual, para 35,5% ao ano de outubro para novembro. No caso do crédito com recursos direcionados, o indicador ficou estável, em 8,9% ao ano.

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central (BC), Fernando Rocha, explicou nesta sexta-feira, 22, que a instituição teve um problema operacional para publicar o dados referentes ao mercado de crédito de novembro e publicou erroneamente as informações de outubro. “Esse problema operacional já foi resolvido”, afirmou.