A InBev, nova denominação da cervejaria belga Interbrew, divulgou ontem o preço que pretende pagar pelas ações ordinárias (com direito a voto) da AmBev que estão em poder do mercado. A oferta pública será feita em leilão na Bovespa até o final deste ano, segundo previsão de executivos da dona da Skol, Brahma e Antarctica.

A proposta dos belgas é pagar 353,28 euros por cada lote de mil. Em reais, isso corresponde hoje a cerca de R$ 1.258 – considerando a cotação média do euro de ontem (R$ 3,56). Mas o preço final em reais só pode ser calculado no dia do leilão, ainda sem data marcada.

Anteontem, o papel fechou cotado a R$ 1.190 por lote de mil. Ou seja, o preço da oferta é superior a esse número. Isso fez com que a ação subisse, ontem, mais de 3%, pois os investidores enxergam a oportunidade de ganhos até a data do leilão. A alta de 3,36% deixa agora o papel cotado a R$ 1.230.

A oferta estava prevista nos termos do negócio que cria a maior cervejaria do mundo em volume produzido, anunciado em março e concluído na sexta-feira passada. O edital da operação ainda depende de aprovação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Estima-se que os belgas desembolsem até US$ 1,8 bilhão nessa oferta de ações remanescentes.

Segundo o comunicado da AmBev, o preço da oferta corresponde a 80% dos 441,60 euros, valor atribuído a cada lote de mil na operação de transferência de controle da companhia para a InBev. No jargão do mercado, esse direito do minoritário de receber 80% do valor pago aos controladores chama-se “tag along”.

A oferta envolverá um total de 3,5 bilhões de ações ordinárias em circulação no mercado – quantidade equivalente a 14% do total existente. Se concluída com adesão total dos acionistas, a participação dos belgas no capital votante da AmBev salta dos atuais 70% para 84%. Considerando o capital total (ações ordinárias mais preferenciais), a fatia sobe dos 51% para 55%.