O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), Ben Bernanke, declarou na edição de ontem do Washington Post que as propostas para alterar o papel de supervisão do banco central prejudicariam a economia. O artigo foi incomum porque os indicados normalmente evitam polêmicas antes da audiência de confirmação. A audiência de Bernanke perante o Comitê Bancário do Senado sobre se deve ficar no posto de presidente do Fed por um segundo mandato será na quinta-feira, mas o debate deve ir além do futuro dele. As duas Casas do Congresso consideram propostas para reformar a regulação financeira, que mudariam dramaticamente o papel do Fed, algo a que Bernanke se opõe.

O presidente do comitê, Christopher Dodd, propôs uma nova regulação dos serviços financeiros que tiraria do Fed a maior parte do poder de supervisionar bancos. O Comitê de Serviços Financeiros da Câmara aprovou no começo do mês uma provisão que sujeitaria o Fed a um exame de auditoria pelo Escritório de Contabilidade do Governo, um braço do Congresso. Em artigo na edição do Washington Post, Bernanke disse que as medidas estão “muito desalinhadas com o consenso global sobre o papel apropriado dos bancos centrais” e acrescentou que elas “iriam seriamente prejudicar as perspectivas para a estabilidade econômica e financeira nos Estados Unidos”.

Ele argumentou no artigo que, para colocar o juro perto de zero sem provocar temores de inflação entre os investidores, os investidores tiveram que acreditar que o Fed era imune a pressões políticas. A proposta de auditoria da Câmara “serviria apenas para aumentar a influência observada do Congresso sobre decisões de política monetária, que enfraqueceriam a confiança que o público e os mercados têm no Fed para agir no interesse de longo prazo da nação”, escreveu ele.

Embora seja esperada a confirmação para mais um mandato à frente do Fed, um senador criticou Bernanke pelo fracasso em evitar um desastre econômico e disse que votará contra. “Se ele é o cara mais esperto do mundo, por que não fez nada para evitar que afundássemos no desastre que Wall Street causou, e no qual ele teve participação?”, questionou o senador Bernie Sanders, no programa do canal ABC “This Week with George Stephanopoulos”. Sanders referia-se à lista da revista Foreign Policy dos “Top 100 Pensadores Globais”, que colocou Bernanke em primeiro lugar.

Bernanke admitiu que o Fed não fez “tudo que poderia para conter o excesso de tomada de risco no setor financeiro no período que levou até a crise”. Mas argumentou que o banco central agiu agressivamente para melhorar a supervisão bancária e precisa desse poder para ajudar a manter os mercados e a economia estáveis. As informações são da Dow Jones.