Apesar de louvar os dados positivos relativos ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre do ano, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, admitiu hoje que é praticamente impossível o Brasil registrar, ainda no governo Lula, uma taxa de investimentos de 20% em relação ao PIB, objetivo buscado nos últimos anos. “Ficou difícil para o governo atingir os 20%”, disse à Agência Estado, por telefone, de Curitiba.

A taxa de investimento apurada pelo IBGE no segundo trimestre de 2009 está em 15,7%, a menor variação apurada em um segundo trimestre desde 2003. Ao final de junho do ano passado, a taxa estava em 18,5%, mais próxima do alvo, considerado por vários membros do governo, na ocasião, como factível até a chegada dos impactos da crise financeira internacional sobre a economia brasileira.

O IBGE revelou também hoje que a queda de 17% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado foi a pior da série histórica, iniciada em 1996. “Parece que teve uma debandada dos investimentos. O presidente Lula já havia detectado isso”, considerou Bernardo. Ele afirmou, no entanto, que já há sinais de recuperação dos investimentos no atual trimestre. “Está indo bem”, resumiu.

O ministro descartou a hipótese de o governo tomar medidas adicionais para atrair mais investimentos produtivos no Brasil até o final do governo Lula. “Já estamos incentivando, tiramos imposto de investimento do setor de máquinas e equipamentos”, pontuou. Segundo a gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, durante a divulgação dos números do PIB, hoje pela manhã, o declínio da FBCF foi provocado, principalmente, pela redução da produção interna de máquinas e equipamentos, mas também da importação desses itens.

Miguel Jorge

Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse hoje que a previsão do governo para a taxa de investimento em 2010 é de 21,5% do PIB. “Um de nossos desafios é ampliar a nossa taxa de investimento, que esteve historicamente baixa nesses últimos anos. Temos uma previsão de que devemos chegar a no mínimo 21,5% no ano que vem”, afirmou, depois de participar da comemoração pelos 20 anos do Guia Oesp Metal Mecânica e Eletrônica, no auditório do Grupo Estado, na capital paulista.