Rio  – O presidente do BNDES, Carlos Lessa, já admite a possibilidade de financiar o setor aéreo individualmente, sem que haja a necessidade de fusões entre empresas. “O BNDES não descarta nada. Mas somos o guardião do dinheiro dos trabalhadores e não vamos financiar nada a fundo perdido”, disse Lessa, em entrevista durante o seminário “Rio: Corredor de Integração”, realizado na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

É a primeira vez que Lessa admite publicamente que a fusão não é condição “sine qua non” para que o banco financie o setor. Ele afirmou entretanto que, para o financiamento ser viabilizado, é necessário que as propostas sejam feitas ao banco com “garantias de recebimento”. “Até o momento, não recebemos nenhuma consulta, nenhuma proposta, nem individual, nem quanto à fusão. O ritual do banco começa pelo enquadramento de uma proposta, sua análise, a averiguação de suas garantias e só depois a concessão de financiamento”, disse Lessa.

Ele considerou ainda ser mais importante para o setor aéreo o rearranjo das companhias do que propriamente uma fusão específica entre a Varig e a TAM. Para o presidente do BNDES, a negociação para a fusão das duas companhias já se prolongou demais. “Tudo que se adia demais é lamentável, porque mantém situações que têm elementos inquietantes. Particularmente, acho que esta situação (a fusão entre a Varig e a TAM) já deveria ter sido resolvida. Mas isso não está ao meu alcance”, disse.