O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) se agigantou nos últimos três anos e é responsável hoje por uma espécie de orçamento paralelo do governo Lula. Braço auxiliar da política econômica do governo, o BNDES faz desembolsos maiores do que o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) graças a uma estratégia de repasse de recursos subsidiados pelo Tesouro Nacional.

Todas as principais políticas econômicas adotadas pelo governo têm um pé no banco estatal. Esse novo desenho financeiro de financiamento público ganhou espaço depois da crise financeira internacional de 2008 e tem garantido ao presidente Lula e sua equipe o poder de interferir decisivamente nos principais negócios empresariais de fusão, aquisição e novos investimentos em curso no País. Tudo passa hoje pelo BNDES.

O dinheiro mais barato oferecido pelo BNDES – com a alavancagem subsidiada pelo Tesouro, sem que para isso a União tenha feito uma capitalização nos moldes tradicionais – vem permitindo que as empresas consigam financiamento com taxa de juros muito inferiores à do mercado. Em alguns casos, as taxas até são negativas, abaixo da inflação.

Essa política garantiu que a taxa de investimento do País voltasse a crescer rapidamente depois do tombo do ano passado, acelerando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na reta final do governo Lula. Por outro lado, abriu o debate sobre o custo no futuro para os cofres do Tesouro e a transparência dessa política de concessão de financiamento barato para as empresas – na maioria grandes conglomerados – em um modelo em que o governo estaria escolhendo vencedores na economia brasileira. Em 2009, os desembolsos bateram recorde com R$ 137,3 bilhões. De janeiro a maio deste ano alcançaram R$ 46 bilhões, com alta de 41%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.