São Paulo – Boas notícias e fluxo cambial positivo foram a combinação que levou o dólar a fechar ontem em baixa de 0,88%, cotado a R$ 2,904 na compra e R$ 2,906 na venda. A cotação é a menor desde 28 de julho e representa queda de 2,45% na semana e de 18% no acumulado do ano. Em toda a semana, o dólar registrou alta apenas na segunda-feira (0,23%). No restante dos dias predominou o otimismo com as reformas estruturais, queda do risco país e retomada das captações externas.

A principal notícia da sexta-feira foi a quarta aprovação do acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), anunciada à tarde. Na prática, a medida significa a liberação de US$ 4,26 bilhões ao país. Os mercados reagiram de forma significativa à notícia, apesar de sua total previsibilidade. O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, afirmou que o país deve sacar os recursos nos próximos dias e previu que o Brasil está próximo do momento em que não precisará mais de recursos do Fundo.

No final da tarde, o C-Bond subia 0,54%, cotado a 91,75% do seu valor de face. O risco-país marcava 662 pontos-base, mantendo seu menor patamar em três anos.

O dólar rompeu duas barreiras importantes nos últimos dias. Anteontem a moeda caiu abaixo do piso psicológico de R$ 2,95. Ontem rompeu o suporte gráfico de R$ 2,92, a partir do qual alguns analistas esperam novas quedas. A trajetória foi consolidada pelo bom humor com a aprovação da reforma tributária na Câmara, o fluxo cambial positivo e as notícias de novas captações externas. Ontem a CSN concluiu operação de US$ 200 milhões.

A taxa Selic é hoje de 22% ao ano, depois de três cortes consecutivos, o último de 2,5 pontos. Os analistas acreditam que o Banco Central deve promover novo corte significativo na taxa neste mês, devido ao controle da inflação e à necessidade de estímulo ao crescimento econômico. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nos dias 16 e 17 para decidir sobre a taxa. O DI de outubro, que projeta os juros de setembro, fechou ontem em 20,78% ao ano.