O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, o republicano John Boehner, disse hoje que o partido vai oferecer aos democratas e ao presidente Barack Obama uma chance de adiar a discussão sobre o teto da dívida, aprovando uma elevação “temporária” do limite legal de endividamento, que daria mais tempo para o Congresso discutir questões orçamentárias.

Fontes ligadas ao Partido Republicano haviam dito mais cedo que os republicanos apresentariam uma proposta para elevar o teto da dívida por seis semanas, ou seja, até o fim de novembro. Boehner não deu um prazo, afirmando apenas que a extensão seria temporária.

Questionado por um repórter se a crise atual não vai se repetir no mês que vem, ele afirmou que existe a chance de isso acontecer, mas que é preciso negociar maneiras de reduzir o déficit orçamentário e que ele não deseja que essa situação se repita.

Boehner também foi perguntado sobre se essa proposta inclui a reabertura do governo, que está paralisado há dez dias em função da não aprovação do Orçamento para o ano fiscal de 2014, que começou este mês. Mas o líder da Câmara não respondeu, dando a entender que são assuntos separados e que a aprovação do aumento no limite de endividamento não vai reabrir automaticamente o governo.

O líder da bancada republicana na Câmara, Eric Cantor, deixou claro que o partido discutiu uma extensão temporária do teto da dívida, mas somente em troca do governo aceitar negociar outras questões orçamentárias. Obama vai se encontrar com os líderes republicanos, incluindo Cantor e Boehner, no fim desta tarde.

Reação da Casa Branca – Em reação ao plano republicano para elevar o teto da dívida por somente seis meses, a Casa Branca afirmou que é preciso mais para resolver o impasse orçamentário, frisando que o presidente Barack Obama prefere um aumento mais prolongado e que exige que o governo seja financiado antes de negociar com os republicanos.

Uma autoridade da Casa Branca, em comunicado, disse que um aumento de prazo maior do teto da dívida seria melhor para a economia. “É melhor para a certeza econômica que o Congresso retire a ameaça de default pelo maior tempo possível, e é por isso que apoiamos os esforços dos democratas do Senado para elevar o teto da dívida por um ano, sem condições atreladas”, afirmou.

Apesar de a proposta republicana elevar o teto da dívida por somente seis semanas, ela não inclui nenhuma condição política, mas representa um grande avanço após mais de uma semana de impasse. Não há sinais, porém, de uma reabertura do governo.

Mesmo assim, o comunicado da Casa Branca não descarta explicitamente o apoio do presidente a uma elevação de curto prazo do teto da dívida. (Com Dow Jones Newswires)