BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro avalia indicar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para chefiar o PPI (Programa de Parcerias e Investimentos), órgão responsável por supervisionar os processos de privatizações do governo federal.

Com isso, Bolsonaro quer dar a Pazuello –criticado e investigado pela atuação no Ministério da Saúde durante a pandemia– uma saíra honrosa para seu auxiliar.

A definição de um lugar para acomodar Pazuello era um dos obstáculos para a posse do novo ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga.

Ele foi anunciado por Bolsonaro na semana passada, mas ainda não foi investido no cargo, atraso que foi publicamente cobrado por líderes do centrão.

A expectativa é que a cerimônia de transferência de cargo ocorra na quinta-feira (25), mas interlocutores do presidente disseram ao jornal Folha de S.Paulo que, caso a solução para Pazuello se confirme, o ato pode ocorrer ainda nesta terça (23) ou quarta (24).

Em entrevista à coluna Painel, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou que a demora na efetivação da troca é “um erro do governo”. “Deveria ter tomado posse na semana passada, espero que isso se resolva amanhã (23)”, declarou.

O PPI hoje está sob o guarda-chuva do ministro Paulo Guedes (Economia).

A ida de Pazuello deve coincidir com a transferência do programa de privatizações para a Secretaria-Geral, do ministro Onyx Lorenzoni (DEM) –numa nova derrota para Guedes.

Onyx já teve o programa sob sua supervisão quando ele esteve vinculado à Casa Civil.

A posse de Queiroga também sofreu atraso pela necessidade do médico se desligar como sócio-administrador de uma clínica.

Diante das críticas do centrão, grupo parlamentar que hoje dá sustentação ao presidente, Bolsonaro foi aconselhado a realizar a posse o quanto antes.

O esforço de acelerar a troca também tem como objetivo evitar cobranças das cúpulas do Legislativo e do Judiciário em reunião marcada para quarta-feira (24).

A falta de uma definição em meio a uma escalada de mortes é uma das reclamações que seria levada ao encontro.

A demora na posse de Queiroga levou ainda líderes do bloco do centrão a retomar, desde o final de semana, pressão para emplacar um outro nome na pasta. Segundo relatos feito ao jornal Folha de S.Paulo, integrantes do grupo partidário chegaram a sugerir a ministros palacianos que repensassem as indicações dos deputados federais Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ), o “Doutor Luizinho”, e Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara.

Em conversas reservadas, contudo, Bolsonaro tem insistido na necessidade de que a pasta seja conduzida por um nome técnico, de preferência um médico, na tentativa de inaugurar o que ele tem chamado de uma nova fase da gestão no combate à pandemia.

Mas o entorno do presidente não exclui a possibilidade de uma mudança ser efetivada caso Queiroga não consiga se desincompatibilizar em breve das empresas das quais é sócio.