Um saldo de 900 demissões, 3 mil funcionários em licença remunerada e toda a produção parada até o próximo dia 29. Foi como a unidade curitibana da Bosch (fabricante de sistemas de injeção para motores a diesel voltados principalmente para exportação) terminou o dia, ontem.

Uma forte diminuição na demanda por seus produtos, consequência da crise econômica mundial, foi a principal justificativa para as medidas. Apesar da empresa vir negociando acordos que acabaram não acontecendo com os empregados e o sindicato da categoria desde o início do ano, estes se mostraram surpresos com a situação.

A Bosch, em comunicado à imprensa, ressaltou que, desde o último trimestre de 2008, vem registrando “significativa queda no número de pedidos dos clientes para as tecnologias automotivas” produzidas na unidade de Curitiba.

A redução foi principalmente nas exportações, que, ano passado, respondiam por cerca de 60% da demanda da unidade. Por isso, a empresa diz que a ação foi necessária para garantir a competitividade da fábrica de Curitiba em longo prazo.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Sérgio Butka, lamentou as demissões e admitiu ter sido pego de surpresa. Ele frisou que, desde o início do mês, vinha conversando com a empresa para buscar alternativas, mas que a companhia, ao contrário de outras da região, era pouco receptiva às propostas do sindicato.

Agora, Butka avisa que o Sindicato deverá procurar o Ministério Público do Trabalho para tentar reverter a situação. “Eles têm uma responsabilidade social a cumprir”, diz.

Desde o início do ano, a empresa já havia proposto um acordo coletivo para reduzir os salários e a jornada de trabalho dos empregados. A proposta, porém, não foi aceita pelo SMC, que alegava que a Bosch tinha que tentar esgotar todas as outras possibilidades como banco de horas ou suspensão temporária (lay off) antes de tomar tais medidas. “Além disso, a empresa não dava garantias de manutenção dos empregos”, lembrou Butka.

Um dos funcionários demitidos, que não quis se identificar, alegou que faltou transparência da Bosch antes do anúncio das demissões, e reclamou da forma abrupta com que a comunicação foi feita.

Ele, que trabalhava há cinco anos na unidade, como operador de produção, disse que a comoção dos empregados era geral. “Teve gente com mais de 20 anos de empresa que foi mandada embora”, contou.

O gerente de Recursos Humanos da unidade da Bosch em Curitiba, Duilo Damaso, disse que as demissões foram postergadas pelo máximo de tempo possível.

Ele assegurou que a Bosch está em contato com outras companhias para tentar recolocar os profissionais no mercado, e lembrou que a empresa também estendeu por seis meses a assistência médica dos empregados dispensados.

Sobre a forma das demissões, Damaso afirmou que a empresa se preocupou em comunicar pessoalmente cada funcionário, e por isso as dispensas foram rápidas. “Claro que não é um comunicado agradável de receber. Há muitos sentimentos envolvidos. Mas o fator tempo era determinante”, justificou. Segundo ele, os critérios para escolha dos demitidos levaram em conta aspectos legais, sociais e de desempenho.