Uma nova proposta de acordo, que se aproximou às últimas reivindicações dos funcionários, pode por fim à greve na unidade da Bosch na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).

A proposta foi oferecida ontem à tarde, em reunião entre representantes da empresa e do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC). Uma assembleia em porta de fábrica, marcada para as 5h da próxima segunda-feira (23), deverá decidir pela continuidade ou não da paralisação.

Na proposta, divulgada pelo SMC e confirmada ontem pela Bosch, a empresa ofereceu 3,7% de aumento real aos funcionários, mais correção dos salários pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), ambos aplicados a partir de janeiro de 2010.

Também faz parte do acordo um abono de R$ 2 mil, a ser pago em duas parcelas de R$ 1 mil, sendo a primeira em 1.º de dezembro e a outra em 1.º de fevereiro de 2010.

O possível acordo também determina que os quatro dias de greve, completados ontem, serão compensados pelo sistema “seis por oito”: a cada seis horas trabalhadas em um sábado por mês, no máximo, oito serão compensadas. A empresa deverá convocar os funcionários para as compensações com pelo menos duas semanas de antecedência.

O vice-presidente do SMC, Nelson Silva de Souza, confirmou a reunião de ontem com a Bosch, mas não adiantou a possibilidade de término da greve: “Ainda estamos aguardando que a empresa oficialize a proposta. Se oficializar, avaliaremos na assembleia de segunda-feira. Para isso, estamos convocando todos os trabalhadores da Bosch a comparecerem”, afirmou.

A greve dos funcionários da Bosch começou na última terça-feira (24), depois de uma curta paralisação efetuada no dia anterior. Os metalúrgicos pediam o aumento real de 3,7% e abono de R$ 2 mil, em uma só parcela.

De início, a empresa prometia corrigir os salários pelo INPC e parcelar o abono. Um aumento real de 3,5% era prometido apenas para dezembro de 2010. Durante a semana, as conversas avançaram, com a Bosch antecipando cada vez mais a concessão do aumento real.

Os funcionários, no entanto, mantiveram as reivindicações iniciais, comparando as propostas a acordos fechados em outras empresas da CIC, como a Rodo Linea e a Case New Holland, onde os acordo foram bastante parecidos com a última proposta da Bosch.

A unidade da Bosch na CIC tem cerca de 3 mil funcionários e produz componentes para sistemas a diesel. Como a maior parte de sua produção é voltada ao mercado internacional, a companhia vem sofrendo até hoje os efeitos da crise mundial.

A empresa, que em junho demitiu 900 pessoas e colocou 3 mil funcionários em licença remunerada, paralisando temporariamente as atividades, alega que a previsão de vendas para 2010 ainda é significativamente menor do que a deste ano.