O mercado paranaense de capitais conta agora com um novo controlador. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) assumiu o trabalho institucional e mercadológico de promoção e desenvolvimento do mercado de ações no Estado, antes realizado pela Bolsa de Valores do Paraná. A nova aquisição faz parte do projeto da Bovespa em crescer geograficamente. Além de Curitiba, também Porto Alegre e Rio de Janeiro contam com escritórios regionais.

?No passado, havia várias Bolsas, o que acabava segmentando a liquidez. O importante agora é a concentração de esforços?, explicou o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, que esteve ontem em Curitiba para a inauguração do escritório regional. No caso do Paraná, segundo Magliano, o processo demorou cinco anos para se concretizar. Para o investidor, afirmou, o que muda na prática é o ?tom.? ?Vamos trazer vários projetos educacionais, como o ?Bovespa vai até você? e ?Bovespa vai à praia?, comentou. Com isso, o objetivo é popularizar o mercado de ações, atraindo maior número de investidores. No Paraná, o comando da nova unidade da Bovespa ficará por conta de Amaury Ângelo Stocchero, ex-superintendente da Bolsa de Valores do Paraná.

Magliano acentuou a importância de desconcentrar os investidores. Hoje, o eixo Rio-São Paulo, lembrou, concentra 72% das operações da Bolsa. ?Queremos que haja uma descentralização. Há um espaço muito grande de crescimento em outras regiões?, salientou. Até outubro, conforme dados da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), havia no Paraná 8.606 investidores pessoas físicas operando na Bolsa (4,96% do total de investidores do País) e 472 investidores pessoas jurídicas (2,95% do total do País). É a quinta maior praça de investidores, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. ?O mercado do Sul já é muito ativo. Vamos dinamizar um pouco mais?, disse.

Crescimento

Sobre o balanço de 2005, Magliano Filho avaliou como ?muito bom?. ?Houve um aumento no volume diário de operações de 20% a 30% em relação ao ano anterior?, afirmou. ?Mas, o importante é que mais empresas fizeram a abertura de capitais?, acrescentou. Só este ano, segundo Magliano, oito novas empresas se abriram para o mercado de ações. Além disso, outras duas – a UOL, do Grupo Folha, e a Tractebel, que atua no segmento de energia – devem se abrir para o mercado de capitais até o fim do ano.

Segundo Magliano Filho, com o novo escritório da Bovespa em Curitiba, o objetivo é também estreitar as relações com as empresas, para possível abertura de capitais. No Paraná, o número de empresas com ações na Bolsa ainda é muito pequeno, apenas nove: a Brasil Telecom, Cia. Cacique de Café Solúvel, Cia. Iguaçu de Café Solúvel, Copel, Inepar Energia, Inepar Indústria e Construções, Metalgráfica Iguaçu, TIM Sul e Terminais Portuários Ponta do Félix. Em todo o País, há mil empresas de capital aberto – 382 delas registradas na Bovespa, sendo que dessas, 345 negociam ações. No caso do Paraná, todas elas negociam ações.

?Em 2005, grandes empresas abriram seus capitais. Para o ano que vem, nossas expectativas é que pequenas e médias também possam financiar seus investimentos via mercado de capitais?, comentou. O aumento de companhias no setor, segundo Magliano, é bastante positivo. ?A partir do momento em que atraímos mais companhias, como a de serviços (caso da Natura) e de energia (Tractebel), é melhor, porque haverá para o investidor mais opções?, explicou. ?Há uma cultura nova surgindo. As pessoas focadas em renda fixa estão percebendo que aplicar no mercado de ações representa, no futuro, rendimento muito maior?, disse. Exemplo disso foi o aumento do número de clubes de investimento, que passou de 357 para 1,3 mil em quatro anos.