O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, disse nesta terça-feira (10) que os negociadores brasileiros em conjunto com entidades setoriais privadas, conseguiram convencer o governo e a indústria do Paraguai a aprovar pedido de Brasília para elevar de 20% para 35% (máximo permitido pela Organização Mundial do Comércio) a Tarifa Externa Comum (TEC) de importação de calçados e confecções, sem contrapartidas. Na próxima semana, será a vez de negociar com o Uruguai.

Na condição de união aduaneira, os parceiros de Mercosul são obrigados a ter uma política tarifária externa comum. O Brasil, há pouco mais de dois meses, pediu uma suspensão temporária da TEC para tentar conter a forte concorrência estrangeira em calçados, confecções e têxteis, agravada pelo câmbio. Mas, ao submeter o pedido aos outros países do bloco, na reunião que aconteceu no fim de junho, o governo brasileiro teve de ouvir o veto de Paraguai e Uruguai. Mas não desistiu da demanda e iniciou um processo de negociação com os parceiros do bloco.

Segundo o secretário-executivo do MDIC, Ivan Ramalho, os empresários brasileiros, representados pela Abicalçados e pela Abit (associações de calçadistas e da indústria têxtil, respectivamente), fizeram ontem uma exposição convincente aos paraguaios sobre a necessidade de adotar a elevação da TEC. Na semana que vem, provavelmente no dia 17, a mesma estratégia deve ser usada para convencer os uruguaios a aceitar a demanda brasileira.

O ministro Miguel Jorge destacou, no entanto, que os paraguaios ainda não deram sinal verde para a elevação da TEC para tecidos, já que o país é importador desse produto. "Nessa área, as negociações continuam", disse.