Até setembro deste ano, o comércio entre Argentina e Brasil poderá ser feito por meio de moeda local. O projeto já está em andamento nos bancos centrais dos dois países e a meta é que a implantação do Sistema de Moedas Locais (SML) esteja completada em meados do segundo semestre. O mês-limite foi dado nesta segunda-feira (7), com exclusividade à Agência Estado, pela diretora de Assuntos Internacionais do BC desde janeiro, Maria Celina Berardinelli Arraes, após fazer palestra durante almoço promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em Miami. O almoço ocorreu paralelamente à 49ª Reunião Anual da Assembléia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Miami, nos Estados Unidos, e Maria Celina fez a apresentação sobre os dados da economia brasileira a um grupo de aproximadamente 200 representantes de bancos e empresas brasileiros e estrangeiros.

"O Banco Central do Brasil com o Banco Central da Argentina estão criando o sistema para fazer a liquidação das operações no intuito de facilitar o comércio entre os dois países", disse a diretora. Esta é a terceira alternativa que os exportadores de pequeno ou grande porte têm para negociar. As outras duas são contratos em câmbio ou depósito no Bank of New York. Atualmente, para importar um produto argentino, a empresa brasileira precisa adquirir dólares e remetê-los ao país vizinho. E, para receber seu pagamento em peso, o vendedor precisa fazer o mesmo procedimento.

Muitos exportadores pequenos alegam que, em função da volatilidade da moeda norte-americana não têm como se proteger e preferem, portanto, não vender seus produtos para fora do País a fim de evitar prejuízos. "Com a medida o exportador poderá contratar a operação em reais sem precisar ir a um banco que opere com câmbio", explicou Maria Celina. A experiência começará com a Argentina, mas o modelo poderá ser implantado posteriormente em outros países. Em relação ao cumprimento da data-limite conhecida hoje, a diretora foi enfática: "Este é um compromisso dos presidentes (Luiz Inácio) Lula (da Silva) e Cristina (Kirchner)".

Maria Celina disse também que o processo gradual de simplificação e consolidação da liberalização das operações de câmbio primário continua dentro da diretoria. Ela lembrou que a ultima alteração foi em relação ao decreto de 1933, que exigia o retorno de 70% dos recursos exportados para o País para que fosse feita a cobertura cambial. "Estamos num processo de simplificação do sistema porque sempre houve muitas normas", disse.