O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura Inácio Kroetz, disse hoje em São Paulo que o Brasil tomará todas as medidas previstas nos acordos sanitários entre os dois países para impedir a entrada do vírus da febre aftosa no País. O secretário não soube informar quais medidas serão tomadas e quais produtos provenientes da Inglaterra devem ser impedidos de entrar no Brasil, já que retornou de viagem ao México e ainda não havia passado por Brasília, onde tem uma reunião marcada com sua equipe na tarde desta segunda-feira (6).

O secretário informou, no entanto, que o comércio de alguns produtos será suspenso até que o assunto seja totalmente esclarecido. "Não podemos correr o risco de ter nosso rebanho contaminado e faremos tudo para prevenir a entrada da doença", disse Kroetz.

Em São Paulo, assim como em Brasília, a ordem é analisar e realizar qualquer tipo de embargo apenas sob aspectos técnicos. "Estamos avaliando os impactos para tomar qualquer medida com base técnica e não política", disse o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado, João de Almeida Sampaio Filho. O secretário disse que solicitou um levantamento dos produtos importados pelo Estado da Inglaterra para só depois se posicionar.

Vírus

Até hoje, o governo sabe que o vírus identificado na Inglaterra e comunicado oficialmente na última sexta-feira é do tipo O. As suspeitas indicam que ocorreu um escape viral de um laboratório de manipulação do governo inglês, que já está tomando as medidas de contenção. A Inglaterra não faz vacinação contra febre aftosa e, de acordo com as regras da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), em caso de identificação de um foco é necessário fazer o isolamento da área contaminada e abate dos animais. A última ocorrência da doença na Inglaterra ocorreu em 2001, quando mais de 10 milhões de animais foram abatidos e incinerados.