Os países do G-20 (grupo que reúne as economias emergentes) não conseguem chegar a um acordo para dar apoio por escrito ao Brasil pela atitude do Itamaraty nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, principalmente, diante de sua decisão de não aceitar as propostas feitas por Estados Unidos e Europa, duas semanas atrás, na conferência de Potsdam, na Alemanha.

Na semana passada, o governo argentino tentou mostrar solidariedade ao Brasil e enviou uma carta aos demais membros do G-20 sugerindo que uma declaração fosse assinada por todos, mostrando uma espécie de reconhecimento pelo trabalho de Brasília nas negociações. O governo brasileiro avaliou a iniciativa argentina como "positiva".

Mas alguns dias depois, os argentinos foram obrigados a desistir da idéia. Mandaram uma nova carta a todas as delegações dos países emergentes explicando que a iniciativa estava sendo abandonada diante dos comentários recebidos contra a proposta. Na prática, alguns governos do bloco estimaram que não seria o momento de assinar uma declaração a favor do Brasil ou do processo ocorrido em Potsdam, que apenas incluía americanos, europeus, indianos e brasileiros.

Mas esse não é o primeiro sinal de dificuldade encontrado pelo Brasil entre os países emergentes. Após o colapso de Potsdam, um grupo de oito países em desenvolvimento apresentou uma proposta de cortes de tarifas de importação de bens industriais que vão além do que o Brasil afirmou estar preparado para aceitar. Alguns dias depois, Amorim ligou para o governo chileno, que organizava a iniciativa, para entender o motivo da proposta.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo