"O Brasil não poderia estar melhor para lidar com a crise." Essa é a avaliação do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o francês Dominique Strauss-Kahn, que salientou a importância do fortalecimento dos fundamentos macroeconômicos do País nos últimos anos para enfrentar o risco de recessão nos Estados Unidos e a forte volatilidade que afeta os mercados financeiros recentemente.

"O Brasil está indo muito bem", disse Strauss-Kahn, que participou esta semana de uma série de discussões sobre a economia global no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. "É lógico que nenhum país deixará de ser atingido pelo menos um pouco pelo que está acontecendo, mas o Brasil está numa posição forte.

Ele evitou comentar como o Fundo avalia o comportamento dos preços das matérias-primas diante dos problemas da economia mundial – um fator crucial para muitas economias emergentes. "Em breve atualizaremos nossos prognósticos para a economia mundial e esse tema será abordado", informou.

A avaliação positiva sobre o Brasil do chefe do FMI coincide com a maioria das declarações dos economistas e empresários que participaram do Fórum em Davos. Segundo eles, o controle inflacionário, a adoção do regime cambial flutuante e o fortalecimento das reservas em moeda estrangeira colocou o Brasil numa situação muito menos vulnerável em relação às turbulências financeiras externas.

Mas esse prognóstico não é unânime. Nouriel Roubini, presidente da consultoria Roubini Global Economics, apesar de salientar o fortalecimento da economia brasileira, prevê que o impacto da recessão nos Estados Unidos sobre o Brasil poderá não ser desprezível.