O Brasil passa “dançando pela crise”, disse hoje o jornal britânico Financial Times (FT), em caderno especial sobre o País publicado nesta terça-feira. “Acontece que o Brasil, finalmente, após anos de promessas não cumpridas, está chamando a atenção mundial – e sugando investimento estrangeiro direto, enquanto muitos rivais ficam sem nada”, afirma o periódico.

A publicação parte da movimentação dos negócios em torno da tradicional festa junina de Caruaru, em Pernambuco, para concluir que o mercado doméstico brasileiro é capaz de amparar não somente marcas específicas, como indústrias inteiras. É o caso, por exemplo, do carro bicombustível (flex fuel), feito para o mercado nacional e responsável por 90% das vendas de veículos novos no País.

“(O Brasil) é uma democracia madura, com uma economia diversificada e população jovem e adaptável deleitando-se de emprego estável e da renda em alta”, diz o FT. O jornal prossegue afirmando que o País, com poder crescente na área de matérias-primas (commodities), será um grande exportador de petróleo no futuro.

No entanto, apesar de parecer que o Brasil sairá da crise antes do esperado, não significa que está imune à retração global. O governo registrou, em maio, o primeiro déficit primário desde 1999, refletindo a queda na arrecadação e os gastos com os pacotes de estímulo. A princípio, a informação poderia não preocupar, diz o FT, já que muitos países enfrentam déficits ainda maiores neste período de crise. “Mas é exatamente pelo fato de ter feito muito para colocar a casa em ordem que o Brasil se tornou tão atrativo para os investidores.”

A publicação também lista o atraso de reformas consideradas estratégicas, aguardadas desde o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). A falta de infraestrutura, com estradas dilapidadas, a ameaça da violência e a aceitação da corrupção como algo comum na vida pública são outros problemas apontados pelo FT.

“Mas, se as conversas sobre recuperação fazem sentindo em algum lugar do mundo, é no Brasil, um líder emergente mundial na agricultura, mineração, petróleo, até em bancos de investimento com um mercado doméstico que os concorrentes só podem sonhar”, conclui.