A retomada das exportações de carne aos Estados Unidos dependerá da aprovação, pelos importadores, dos resultados dos exames feitos no Brasil após o governo ter adotado plano de ação para corrigir a presença de vermífugo no produto exportado. É o que disse hoje o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, em teleconferência para jornalistas a partir de Bruxelas, na Bélgica, onde negocia ampliar o mercado para a carne brasileira. Em relação aos Estados Unidos, Rossi disse esperar que a comercialização seja retomada em 15 a 20 dias.

“Vimos como altamente positiva a disposição dos Estados Unidos de retomarem as importações”, afirmou Rossi. “As condicionantes (impostas pelo importador), nos negócios, nos parecem lógicas”, acrescentou. Na semana passada, a equipe técnica que esteve nos Estados Unidos para discutir a questão afirmara, antes de embarcar, que as exportações poderiam ser retomadas já na segunda-feira (dia 12).

A expectativa do ministro em relação ao intervalo de 15 a 20 dias para obter o “sim” americano está relacionada ao tempo de demora dos resultados dos exames. “Estamos fazendo exames de laboratórios diários para mostrar que estamos tendo resultados. Dia a dia os técnicos norte-americanos os recebem”, explicou Rossi. Ele afirmou aos jornalistas que as divergências entre os dois países na metodologia da análise da carne “evoluiu”. “Hoje sabemos o que eles pretendem e os Estados Unidos já aprovaram nossa sistemática”, disse. “É natural. Querem ver alguns resultados. É normal”, acrescentou.

Os embarques de carne para os Estados Unidos foram suspensos há pouco mais de um mês por conta de dosagens acima do normal de um antiparasitário no produto (ivermectina). Como a decisão de suspender partiu do governo brasileiro, a expectativa inicial era a de que a liberação ocorresse assim que o Brasil desse seu aval. O País só exporta carne industrializada (enlatada, cozida ou congelada) para os Estados Unidos.

Esta foi a terceira missão aos Estados Unidos este ano para tratar do tema. Uma audiência foi solicitada assim que o problema foi identificado, em 27 de maio, e outra equipe visitou o país para tratar de assuntos mais técnicos. O plano de ação prevê que cabe ao setor privado selecionar o fornecedor, participar da campanha de orientação sobre a importância de se respeitar os prazos de carência entre a medicação do animal e seu abate, visitar propriedades produtoras e aumentar amostragem em análise de matéria-prima, oferecendo garantias maiores de qualidade.

Já o governo distribuirá cartilhas de orientação sobre a carência – o exemplar pode ser encontrado no site do Ministério, na internet. Também determinou a obrigatoriedade de as empresas fabricantes do medicamento prestarem as informações na embalagem do produto, continuar a aplicar o programa nacional de controle de resíduos e realizar auditoria para verificar se planos estão sendo executados conforme apresentação.