Na opinião do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o Brasil “abandonou o mercado americano como comprador”. Parte da perda está relacionada ao câmbio, que tirou competitividade do produto nacional nos últimos anos, mas parte foi por “questões ideológicas”, diz ele.

O Mercosul passou a ser o grande foco do Brasil, até porque o produto nacional, atualmente, só é competitivo em alguns mercados da América do Sul e a logística de transporte é mais barata. Mas, além da crise na Argentina – maior comprador de produtos brasileiros na região -, os chineses ocuparam espaços na região antes dominados pelo Brasil.

Com a atual melhora da taxa cambial e a economia americana voltando a crescer, Castro vê uma chance de recuperação de mercados perdidos. Ele ressalta, contudo, que os Estados Unidos voltam a ser “um mercado novo que precisa ser conquistado e isso não ocorre da noite para o dia”.

O presidente da AEB lembra que, há uma década, sete dos dez produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos eram manufaturados. Entre eles estavam aviões, celulares, calçados e automóveis. No ano passado, a relação só tinha dois itens: aviões e motores geradores.

Os manufaturados representam 38,4% das exportações totais brasileiras, ante 46,8% em 2008. “Perdemos mercado de manufaturados para todos os países, com exceção de Argentina e Venezuela”, afirma Thomaz Zanotto, diretor do Departamento de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Câmbio

O executivo também vê chances de reversão desse quadro, desde que o real se mantenha em “patamar razoável”, entre R$ 2,50 e R$ 2,60. Mas, atualmente, ele está preocupado com a concentração das vendas para a Argentina, de 19,4% nas exportações de manufaturados. Na pauta total, que inclui as commodities, a Argentina é destino de 8% das vendas brasileiras.

Bruno Lavieri, economista da consultoria Tendências, pondera que, apesar de ser o maior comprador de produtos manufaturados, a concentração na Argentina não é comparável, por exemplo, ao que ocorre no México, onde 70% das exportações vão para os Estados Unidos. “Na crise americana, parou tudo.”

A saída para o Brasil, diz Lavieri, seriam novos acordos bilaterais, “mas, infelizmente, eles não existem por enquanto”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.