A piora nos cenários econômico e político no Brasil já desperta preocupação entre os investidores internacionais, que temem que a recuperação da economia mundial após a grande crise de 2008/2009 seja abortada. Embora desempenhe papel coadjuvante na cena que tem a China como protagonista, o Brasil entrou no radar do mercado como um ponto a ser observado com cautela e, na avaliação do estrategista do banco de investimentos Brown Brothers Harriman (BBH) Ilan Solot, as tensões podem aumentar.

No entanto, para Solot, existe certo exagero na percepção de risco do Brasil. “O País não está numa posição delicada como já esteve no passado. O risco externo da Turquia, por exemplo, é muito maior”, comentou em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Entretanto, o CDS (swap de default de crédito, uma espécie de seguro contra risco de calote) do Brasil chegou a ultrapassar os 500 pontos na manhã desta quinta-feira, 24, ficando muito acima dos 315 pontos da Turquia. O CDS da Rússia, que perdeu o grau de investimento de duas agências de classificação de risco no início do ano, estava em 381 pontos.

“Essa distorção no CDS e também no CDI deve ser corrigida em algum momento. No câmbio, a situação é um pouco mais complicada, porque envolve também fluxo de capitais”, diz Solot. Grande parte do pessimismo envolvendo o Brasil, segundo ele, foi derivada do escândalo de corrupção na Petrobras, que colocou em xeque a confiança em outras empresas brasileiras. “Isso tem pesado no mercado acionário”, afirma.

Para Solot, a situação das empresas é mais delicada, porque, além da crise de confiança, existe a exposição ao câmbio e, em muitos casos, a commodities.

Ontem, a BM&FBovespa perdeu o posto de maior bolsa de valores da América Latina para o México, de acordo com a Economática. O valor de mercado das empresas listadas na bolsa brasileira era estimado em US$ 476,1 bilhões, contra US$ 478,8 bilhões das empresas mexicanas.

O desconforto nos mercados internacionais, ressalta o estrategista do BHH, tem múltiplos fatores. Entre eles, estão o escândalo envolvendo a Volkswagen e as dúvidas em relação aos próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).