São Paulo –  O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, admitiu ontem que o modelo econômico é “perverso”, mas afirmou que o governo está criando as condições para obter um crescimento da economia maior do que 3,5 por cento ao ano.

“Se é verdade que o País tem um modelo econômico perverso, porque exclui, também é verdade que se está trabalhando para o País retomar o crescimento”, disse o ministro a jornalistas ao chegar a um evento sobre inclusão social e desenvolvimento em São Paulo. Dirceu também admitiu que as mudanças na economia são necessárias, mas que têm que ser feitas sem sobressaltos. “Nós precisamos ir mudando o modelo brasileiro. O País tem problemas graves realmente, mas nós não podemos fazer aventuras nem pacotes, porque o País já passou por milagres, pacotes e o final sempre foi trágico”, disse.

Dirceu considera que o governo está atuante e rebateu as críticas de imobilismo na economia. Ele afirmou que o governo tem aprovado vários projetos no Congresso, como por exemplo, as medidas provisórias do setor elétrico e PPP (Parceria Público-Privada), e que em breve serão aprovados também outros projetos, como a lei de falências.

O ministro também destacou que, na próxima semana, o governo envia ao Congresso o projeto que altera o papel das agências reguladoras. “Não existe paralisia no governo. Existem problemas político-administrativos que precisam ser resolvidos”, acrescentou Dirceu, citando como exemplos desses problemas questões como falta de recursos e as greves como a da Polícia Federal.

Sobre o caso Waldomiro Diniz, seu ex-assessor parlamentar, Dirceu disse que não está mais incomodado com o caso e que considera o assunto encerrado. “Fiquei inconformado por eu não ter me dado conta do que estava acontecendo, mas este assunto está nas mãos da Justiça, do Ministério Público e da comissão de sindicância.”

Apesar das afirmações de Dirceu, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, voltou a engrossar o coro de descontentes ao afirmar que o juro, o excesso de burocracia e “a redundância e sobreposição de projetos” dentro do próprio governo emperram a retomada do mercado interno no curto prazo. Sem citar nomes, Furlan disse que o cenário atual é muito diferente do de 2003, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisava garantir sua credibilidade junto ao mercado, e que hoje há “mais espaço para ousar”.