O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que há muito tempo o País não convivia com uma situação hidrológica tão favorável. Em consequência, o sistema deverá ser operado com um excedente de 5 mil a 6 mil megawatts (MW) médios por ano.

Segundo Tolmasquim, a situação é de absoluta tranquilidade tanto do ponto de vista dos reservatórios quanto das condições estruturais. “A situação energética do Brasil hoje, do ponto de vista hidrológico, é excepcionalmente boa e fazia muito tempo que a gente não vivia um momento tão bom”.

Na avaliação do presidente da EPE, o País terá total garantia de energia para fazer frente ao crescimento da demanda, mesmo que nos próximos anos a situação hidrológica não se mantenha tão favorável.

“A nossa realidade hoje é essa: a oferta é muito maior do que a demanda. Então, a situação é de total tranquilidade, independentemente da evolução dos reservatórios. Se considerarmos a relação oferta/demanda até 2014, temos total garantia de fornecimento de energia e com grande excedente”, disse.

Maurício Tolmasquim ressaltou que esse excedente leva em conta, inclusive, a possibilidade de uma taxa de crescimento médio da economia da ordem de 5% ao ano. “É um excedente bastante expressivo”, acrescentou.

Gás natural e eólicas

Na avaliação do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, as usinas termelétricas movida a gás natural e as eólicas (movidas pelos ventos) entrarão em ótimas condições de competitividade nos próximos leilões de energia A-3 e de reserva, que serão realizados pelo governo em julho – o dia ainda não está definido.

No leilão A-3 os empreendedores terão que fornecer o suprimento da energia a ser contratado a partir de 1.º de janeiro de 2014, enquanto o leilão de reserva deverá ter a energia disponibilizada a partir de 1º de julho do mesmo ano.

Em entrevista, Tolmasquim disse acreditar na competitividade das duas fontes, uma vez que o aumento da oferta de gás natural e a queda nos preços devem atrair os investidores para este tipo de empreendimento, enquanto a maior oferta de equipamentos a preços mais competitivos deve favorecer os empreendimentos que usam a energia eólica.

“Com a contribuição desses fatores, certamente as fontes com o maior peso são as eólicas e as térmicas a gás, praticamente empatadas. Acho que essa será a grande disputa do leilão, embora haja espaço também para outras fontes.”

Para o leilão a ser realizado no próximo mês, o presidente da EPE lembra que a empresa contabilizou 30 projetos de geração a gás natural, totalizando 10.871 megawatts (MW) de capacidade instalada.

O volume de empreendimentos com geração a partir do gás natural empata com a capacidade de energia eólica, que, embora tenha levado ao cadastramento de 429 projetos, viabilizará uma capacidade instalada semelhante a das térmicas a gás: 10.935 MW.  

Para os dois leilões foram contabilizados 582 empreendimentos cadastrados, entre usinas hidrelétricas, inclusive as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), centrais eólicas e térmicas movidas a gás natural e a biomassa – principalmente bagaço da cana-de-açúcar.

A oferta total dos projetos habilitados será de 27.561 MW de potência instalada, volume que, segundo a EPE, “extrapolou todas as expectativas anteriores ao início do prazo de cadastramento”.