Daniel Derevecki
Daniel Derevecki

O julgamento contrário à importação de pneus usados atinge diretamente a empresa, especializada em remoldagem.

Assim como todo o setor de reforma de pneus, a empresa BS Colway lamenta a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Na última quarta-feira, o órgão manteve o julgamento contrário à importação de pneus usados. A medida atinge diretamente a empresa, especializada em remoldagem. Para a Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR), a decisão não analisa as reais conseqüências para o País. Entre as prováveis, o aumento nos preços e o desemprego.

Ontem, o proprietário da BS Colway, Francisco Simeão, comentou que a decisão mantida pelo STF teve duas características: ?de preconceito intenso contra os pneus usados. O que eles classificam como lixo é nossa matéria prima; e de desinformação?. Segundo ele, o fato da decisão da ministra Ellen Gracie ter sido mantida foi ?uma falha processual terrível?, da qual irão recorrer. ?Vamos pedir a anulação do julgamento. Temos chances de reverter isso?, afirma.

Enquanto a questão permanece desfavorável, Simeão afirma que muitas alternativas estão sendo estudadas. ?Uma delas é tomar emprestado matéria-prima dos colegas do ramo, emprestar mercadoria importada que sobra; outra seriam as medidas judiciais com efeito suspensivo?, comenta. Segundo ele, a matéria-prima é importada da Europa e não teria como importá-la de nenhum outro país, já que a dos países do Mercosul são da mesma origem.

Caso a situação não seja revertida, segundo o proprietário da BS Colway, a empresa não deve resistir. ?Temos um gasto de R$ 1,7 milhão em folha de pagamento (de 700 funcionários), mais R$ 500 mil em programas sociais. Nosso compromisso é de pagar os salários até 31 de janeiro. Se não ganharmos em janeiro, não temos como pagar em fevereiro. Nossos estoques são zero e estamos dando férias coletivas e desde já aviso prévio?, afirma.

Simeão ainda completou que esta situação criada pode ser uma tentativa de ?matar o setor dos remoldados, como reserva de mercado?. ?Vamos lutar até a última gota, mas não posso me iludir. A empresa deve ser administrada tecnicamente?, conclui.

Setor

O diretor de mercado da ABR, Octávio Bastos, comentou que vê a decisão do STF com extrema preocupação. ?Vai inviabilizar a atividade de duas importantes empresas do setor (BS Colway e Tal Remoldagem de Pneus Ltda). Isso demonstra que o STF não se convenceu da importância do segmento de reforma de pneus para o País, como redutor de preços e gerador de empregos e impostos?, afirma.

Sobre a justificativa de que a atividade aumenta o passivo ambiental, Bastos rebateu que ?para cada quatro importados a gente retira cinco pneus que voltaria ao meio ambiente. Ou seja, a gente diminui o passivo?. Como Simeão, ele concorda que não há no País matéria-prima de qualidade para a indústria do ramo. Em relação às conseqüências imediatas da decisão, o diretor da ABR alerta: ?a população com certeza pode esperar para o ano que o preço do pneu novo vai subir, assim como vai ficar mais caro também o transporte coletivo e de carga?.

Bastos lembra que o mérito da questão ainda não foi analisado pelo STF, por isso ele não descarta possibilidade de reversão.