A Argentina acumulou nos primeiros oito meses de 2005 déficit comercial com o Brasil de US$ 2,297 bilhões, avanço de 92,5% em relação a igual período de 2004 e 27,6% superior ao resultado negativo registrado no ano passado.

De acordo com informe privado divulgado ontem, em agosto, o déficit comercial chegou a US$ 388 milhões, com a Argentina acumulando 27 meses consecutivos de saldo deficitário no intercâmbio com o Brasil, seu maior parceiro comercial.

O estudo da consultoria Abeceb.com indica que, enquanto as exportações argentinas para o Brasil cresceram 15,5% ao longo do ano, situando-se em US$ 4,041 bilhões, as compras de produtos brasileiros deram um salto interanual de 35,1%, com importações totalizando US$ 6,338 bilhões entre janeiro e agosto.

?Embora o Brasil permaneça como um dos principais compradores de mercadorias argentinas, a ?Brasil-dependência? mostra uma tendência descendente desde 2001?, diz o informe. Enquanto em 1998 o mercado brasileiro absorvia 30% das exportações argentinas, essa porcentagem caiu para 15,6%.

Ao contrário, na pauta das importações, a consultoria destacou que ?depois de reduzir sua importância nos anos 2001 e 2002, a Argentina voltou a ser um dos principais mercados para os produtos brasileiros?.

?Atualmente, encontra-se na segunda posição dos países compradores, atrás dos EUA e à frente da China, além de participar em 8,3% das vendas eternas do Brasil?, afirma o relatório.

Os governos da Argentina e do Brasil negociam desde o ano passado um mecanismo que permita evitar a defasagem no comércio bilateral, que se concentram nos setores têxteis, calçados, alimentos e bebidas e eletrodomésticos.