Brasília (AE) – Caiu em cerca de 82% o ritmo de criação de novos empregos com carteira assinada no País em novembro, na comparação com o mesmo mês de 2004. O número de novas vagas formais geradas na economia passou de 79.022 para apenas 13.831, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) anunciados ontem. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, admitiu que o ?desaquecimento? na geração de empregos reflete a queda de 1,2% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre julho e setembro deste ano em relação aos três meses anteriores.

Em geral, dezembro é marcado por uma perda líquida de postos formais de trabalho. Nesse mês em 2004, por exemplo, foram 352 mil demissões a mais que admissões. Por causa desse esfriamento, Marinho afirmou que projeta para todo o ano de 2005 a geração líquida de 1,2 milhão de novos empregos com carteira assinada. Mesmo sendo um número positivo, isso significará redução de 36% em relação ao total de 2004 quando foram criadas 1,8 milhão de vagas. De janeiro a novembro deste ano, o saldo está acumulado em 1,5 milhão de novos postos. O ministro prevê que o governo Lula poderá fechar os quatro anos de governo com o saldo de 4 milhões de novos empregos formais. ?Se somarmos uma estimativa de colocações informais, especialmente na agricultura, isso pode chegar a 8 milhões?, afirmou.

Indústria e construção

O Caged, que é um cadastro montado com informações sobre admissões e contratações mensais de todas as empresas do País, revelou que a construção civil, a indústria e a agropecuária foram os setores que mais eliminaram empregos no mês passado. Na construção civil, houve perda de 3.515 postos. A indústria eliminou 44.815 empregos formais, com destaque para o segmento alimentício que demitiu 42.118 empregados. A agropecuária reduziu 57 mil postos.

Os segmentos moveleiro e de calçados também registraram mais demissões que contratações (cerca de 2 mil postos cada um), como resultado de uma queda das exportações.

Os destaques positivos em novembro foram o comércio, com 74.505 novas contratações, e serviços registrando mais 42.360 postos formais. De janeiro a novembro, os serviços permitiram a criação de 617.105 admissões com carteira assinada, passando a ser o melhor resultado para o período na série do Caged desde 2000. O comércio está em segundo lugar, com 375.943 postos criados, seguido da indústria, com 280.820 empregos.