A Caixa Econômica Federal já está oferecendo linhas de financiamento para a classe média (famílias com renda mensal de até R$ 4,5 mil) comprar imóveis residenciais novos (com até seis meses, contados da expedição do “habite-se”), na planta ou em construção. Os créditos para que os interessados com esse nível de renda comprem imóveis foram abertos na semana passada e são abastecidos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Anteriormente, os financiamentos com recursos do FGTS só estavam disponíveis para o trabalhador que tinha renda de até R$ 2 mil adquirir imóvel novo e usado e para o interessado com renda de até R$ 3.250,00 comprar imóvel na planta. São quatro linhas de financiamento pela Carta de Crédito FGTS – Individual disponíveis para famílias com quatro diferentes faixas de renda. Acompanhe:

Na primeira, destinada para trabalhadores com renda de até R$ 1 mil, o valor máximo do financiamento é de até R$ 23 mil para aquisição de imóvel novo, usado e na planta, avaliado em até R$ 62 mil. O mutuário pagará taxa de juros de 6% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).

Na segunda linha, disponível para famílias com renda de R$ 1.000,01 a R$ 2 mil, o interessado poderá financiar até R$ 44 mil para a compra de imóvel pronto, novo e usado, ou até R$ 55 mil para aquisição de unidade na planta ou em construção. Nos dois casos, o valor de avaliação do imóvel não poderá ser superior a R$ 62 mil. Os juros serão de 8,16% ao ano mais a variação da TR.

Na terceira linha, disponível para famílias com renda de R$ 2.000,01 a R$ 3.250,00, o mutuário poderá financiar até R$ 55 mil para a aquisição de imóvel novo, em construção e na planta e pagará juros de 8,16% ao ano mais a variação da TR.

Na quarta linha, voltada para quem ganha de R$ 3.250,01 a R$ 4,5 mil, a Caixa financia até R$ 64 mil para o mutuário adquirir imóvel novo, na planta ou em construção, com preço de avaliação de até R$ 80 mil. Nesse caso, a taxa de juros é maior, de 10,16% ao ano, mais a variação da TR.

Demais condições – Em todas essas linhas de financiamento, o crédito poderá ser pago em em até 240 meses (20 anos). Mas uma exigência é que a idade do proponente somada ao prazo de amortização do financiamento não ultrapasse 80 anos.

O proponente tem ainda à sua disposição dois sistemas de amortização da dívida: o Sacre, no qual o mutuário poderá comprometer até 30% da renda familiar bruta com o pagamento da prestação, e a Tabela Price, com comprometimento de renda de até 25%, observada sua capacidade de pagamento.

Nos dois sistemas de amortização, há vantagens e desvantagens que o interessado deve avaliar antes de fazer a escolha. Se a opção for pela Tabela Price, os cálculos poderão resultar em uma prestação inicial menor que a do Sacre, mas a tendência é de o saldo devedor crescer bastante porque, até a metade do prazo de financiamento, no valor da prestação estará embutida uma parcela maior de juros e mínima do principal. Apenas a partir da segunda metade do contrato é que a situação passará a inverter-se gradualmente, com a diminuição da parcela de juros e o aumento do principal. Isso poderá levar a um saldo devedor gigantesco, que deverá ser quitado ou renegociado no término do contrato.

No Sacre, o valor das parcelas iniciais será maior, porque o mutuário amortizará mensalmente parcela maior da dívida com os juros, que, por sua vez, incidem sobre um saldo devedor cada vez menor. Nesse caso, se a TR permanecer estável ou cair, o resultado poderá ser uma prestação menor a cada mês. E, no termino do prazo contratual, não haverá resíduo.

Quem tiver renda superior a R$ 4,5 mil poderá obter financiamento da Caixa Econômica Federal por meio do programa Carta de Crédito FAT-Habitação, que trabalha com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e destina os recursos para construção e aquisição de imóvel novo residencial urbano, para qualquer faixa de renda.

Nesse programa, o valor-limite de financiamento é de até R$ 180 mil, observada a capacidade de pagamento do interessado, com valor máximo de avaliação do imóvel de até R$ 300 mil.

No financiamento de recursos para construção, o mutuário pagará os juros definidos pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que atualmente está em 10% ao ano, mais uma taxa fixa de 4% ao ano. Nesse caso, o financiamento máximo é de 80% do menor dos valores entre o de avaliação do imóvel pronto e o orçamento aprovado.

Na aquisição de imóveis novos (com até seis meses, contados da data de expedição do “habite-se”), os juros cobrados também são pela TJLP, mais uma taxa fixa de 5,5% ao ano. Aqui, o financiamento máximo é de 80% do menor dos valores entre o de compra e venda e o de avaliação do imóvel feita pela Caixa.

A Caixa vem utilizando ainda em todos os contratos o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), em que a garantia é a alienação fiduciária. Com essa modalidade de garantia, o imóvel poderá ser retomado rapidamente, em cerca de três meses, em caso de inadimplência do mutuário. Portanto, o interessado no crédito deve avaliar bem sua capacidade de pagamento para não correr o risco de perder o bem posteriormente. O financiamento poderá ser pago em até 168 meses (14 anos).

As prestações serão calculadas pelo Sistema de Amortização Constante (SAC). Nesse caso, as parcelas iniciais também podem ficar mais altas do que as de outros sistemas, como a Tabela Price. Isso porque aqui também o mutuário amortiza mensalmente parcela maior da dívida com os juros, que, por sua vez. incidem sobre um saldo devedor cada vez menor. E, se a TJLP se mantiver estável ou cair, o resultado será uma prestação menor a cada mês. Ao término do contrato, não haverá saldo devedor para ser quitado.

Ao contratar o financiamento, o interessado pagará Taxa de Abertura de Crédito (TAC), que é de 1% sobre o valor do financiamento, não podendo o valor da taxa ser inferior a R$ 200 00. Paga ainda prêmios de seguro, com taxas variáveis de acordo com a faixa etária do mutuário.