Companhias de energia renovável dos Estados Unidos sofreram um forte revés, na sexta-feira, na Câmara dos Representantes do país, que votou por reduzir em um terço os subsídios ao setor. O dinheiro, algo em torno de US$ 2 bilhões, será usado para incentivar os consumidores norte-americanos a comprarem carros mais eficientes, movidos a energia renovável ou não.

Esse programa para troca de automóveis ficou sem dinheiro uma semana depois de lançado, tal a procura dos compradores. O corte efetivo dos recursos que estavam previstos para as companhias de energia renovável pode chegar a US$ 20 bilhões, porque a estimativa é que cada dólar subsidiado ao setor possa gerar outros dez.

“Precisamos desse dinheiro. Esses recursos são necessários”, reclamou Bob Dinneen, presidente da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês). “Eu entendo que eles (os legisladores) precisam desse dinheiro para lidar com uma situação imediata, mas no final do dia vamos precisar de recursos tanto para o programa de troca de automóveis quanto para desenvolver a indústria de etanol”, argumentou.

O resultado da votação da Câmara favorece Michigan, berço da indústria automobilística norte-americana, e desfavorece a Califórnia, onde mais companhias contrataram lobistas neste ano que em qualquer outro Estado do país. A retirada dos recursos é um grande problema especialmente para as empresas de biocombustíveis e energia solar, as que mais precisam de crédito para construir ou expandir instalações. A deputada Nancy Pelosi, democrata californiana e presidente da Câmara, disse esperar que os recursos sejam repostos.

A votação ocorreu em um momento em que a administração Barack Obama tem procurado sublinhar seus esforços para apoiar as empresas de energia renovável. Na quinta-feira passada, o Departamento de Energia dos EUA anunciou que começará a aceitar pedidos de garantia de empréstimos. O governo tem uma linha de US$ 30 bilhões em garantias de empréstimo para energia renovável e US$ 6 bilhões para projetos de transmissão. Esses programas, contudo, não são firmes. Entre outros problemas, o Departamento do Tesouro, não marcou uma data para a liberação dos pedidos, o que complica o planejamento financeiro das empresas, que não podem dizer aos bancos se as garantias serão aceitas pelo governo ou não. As informações são da Dow Jones.