A Camargo Corrêa está propondo trocar fábricas e outros ativos que a companhia Cimpor detém na China, Espanha, Índia, Marrocos, Tunísia, Turquia e Peru, pela participação de 21% que a Votorantim Cimentos possui na empresa portuguesa de cimento. A proposta, que faz parte do processo de aquisição do controle da Cimpor pela Camargo Corrêa, foi formalizada neste domingo em comunicado enviado à comissão de valores mobiliários de Portugal.

Antes da operação com a Votorantim Cimentos, contudo, a Camargo Corrêa terá de fazer, por meio da sua subsidiária InterCement, uma outra troca de ativos: permutará as unidades industriais de cimento, betão (concreto armado) e agregados que a InterCement detém na América do Sul e em Angola pelos ativos da Cimpor naqueles países, com exceção da Cimpor Inversiones e da Cimport Sagesta, ambas empresas sediadas na Espanha. Com esses ativos da Cimpor, a Camargo Corrêa poderá fazer a permuta pelas ações da Votorantim e, assim, aumentar sua participação acionária na companhia portuguesa, atualmente em 33%.

“Existe uma probabilidade muito forte de a Votorantim Cimentos aceitar esta proposta”, afirma a Camargo Corrêa no comunicado enviado às autoridades portuguesas. A Cimpor, um dos dez maiores grupos produtores de cimento do mundo, está sediada em Portugal e tem presença em 12 países, além de contar com uma capacidade de produção de 36,5 milhões de toneladas por ano. No comunicado, a Camargo Corrêa atualizou o prospecto para a aquisição do controle acionário da Cimpor, detalhando, pela primeira vez, a proposta para a troca de ativos.

A Camargo Corrêa pretende manter a marca da Cimpor, além de a sede em Portugal, destacou o comunicado. “A Cimpor sairá reforçada com a integração de novos ativos que a InterCement detém na América do Sul, além de aumentar a presença da Cimpor na África”, avaliou o presidente da InterCement, José Édison Barros Franco, por meio de nota.

O processo de aquisição do controle acionário da companhia portuguesa começou em março deste ano, quando a Camargo Corrêa lançou oficialmente uma Oferta de Aquisição Pública de Ações (OPA). A Camargo ofereceu 5,50 euros por ação para adquirir os outros 67% da Cimpor, totalizando 2,48 bilhões de euros. Entre os donos dos restantes 67% estão a Votorantim, com 21% das ações, e a Caixa Geral de Depósitos e o Fundo de Pensões do BCP, com um total de 19,6% dos direitos de voto juntos, entre outros acionistas minoritários. Esses três acionistas já anunciaram a intenção de venda de suas ações na OPA.

O preço ofertado pela Camargo Corrêa representa um prêmio de aproximadamente 10% face à cotação de fechamento (? 5,00 por ação) da Cimpor negociada na Euronext antes do anúncio preliminar da oferta (30 de março de 2012).

De acordo com Franco, o interesse da Camargo Corrêa na Cimpor é mais uma demonstração da confiança que o grupo deposita em Portugal e na empresa, além do “significativo” investimento a ser feito no país. “O que visamos é assegurar o crescimento sustentável da Cimpor, suportado por uma elevada qualidade dos ativos, uma presença geograficamente diversificada e uma exposição única a economias emergentes”, disse.