O grande motivo para a intensificação na taxa do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) em setembro para 1,36% (de 0,46% em agosto) foi a aceleração da inflação no atacado, disse, nesta terça-feira, 8, o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal. Apesar de o resultado ter ficado abaixo do esperado pela instituição (1,45%), os dois componentes do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) – Agropecuário (2,04%) e Industrial (1,85%) – aceleraram de agosto para o mês passado. Para ele, o principal risco da alta do IGP-DI para o varejo é a transmissão via cadeia de carnes.

Segundo o economista, a principal causa da aceleração do IGP-DI foi a desvalorização do câmbio, que aconteceu no início do terceiro trimestre. Para ele, o “pico” de alta nos índices gerais de preços (IGPs) pode ter chegado ao fim no IGP-DI e a tendência é de abrandamento nas taxas daqui para frente. O principal motivo para esse alívio, disse, serão os preços agrícolas.

A expectativa do Banco ABC Brasil é de que os próximos IGPs tenham variações entre 0,70% e 0,80%, com exceção do IGP-10, que ainda deverá vir acima de 1%. “As coletas estão mostrando números mais favoráveis. O aumento dos industriais tem muito a ver com o câmbio, que na virada de julho para agosto se desvalorizou, mas depois houve uma valorização do real”, disse.

Souza Leal, no entanto, pondera que a alta dos preços no atacado já começa a afetar a cadeia de carnes no varejo, que tende a ficar ainda mais pressionada com a proximidade do Natal. “Final de ano já é pressionado. Se houver aumento no preço da ração, como aconteceu no ano passado, pode ter um impacto forte. Podemos ver isso de novo. É aí que talvez esteja o maior perigo da do câmbio”, afirmou.