Rio

(AG) – Chegar ao topo da pirâmide social é uma tarefa árdua, especialmente num país com tantas desigualdades econômicas e no acesso à educação e ao mercado de trabalho. A escalada, porém, pode ser mais fácil se a escolha da profissão for acertada. Levantamento do economista André Urani, presidente do Instituto de Estudo do Trabalho e Sociedade (Iets) e professor do Instituto de Economia da UFRJ, indica: o passo mais seguro para ascender socialmente no Brasil é ser consultor, funcionário público ou profissional liberal.

Usando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1999, Urani mapeou a probabilidade de uma família chegar aos três níveis mais elevados da estrutura socioeconômica brasileira de acordo com o setor de atividade do seu chefe. A maior chance de chegar ao topo da pirâmide – ou seja, ter uma renda a partir de R$ 2.183 por pessoa da família – é trabalhar nos serviços auxiliares à atividade econômica. Simplificando: ser consultor.

Um profissional deste ramo tem 6,78% de chance de ser considerado parte do 1% mais rico da população, mais de quatro vezes as chances do conjunto de chefes de família brasileiros, que é de 1,57%. Se o objetivo for aderir ao grupo dos 10% mais ricos, a probabilidade é maior, de 31,86%. Para se ter uma idéia da vantagem comparativa: se o chefe de família trabalhar no setor agrícola, a probabilidade é de menos de uma em cada cem (0,38%).

Há várias ocupações sob a classificação de serviço auxiliar. Porém, o que alimenta as probabilidades do grupo é a atividade na área de consultoria (de informática, financeira, de recursos humanos) e assessoria jurídica. Ou seja, ser advogado particular.

O consultor de finanças Moisés Swirski tem exatamente esse perfil. Após anos trabalhando como funcionário de grandes empresas e de fortalecer seus conhecimentos teóricos na universidade, ele abriu a MSW Educação e Consultoria e ganhou o mundo.

Cada um dos 55 grandes nomes do mundo dos negócios que freqüentaram as cinco semanas do programa desembolsou US$ 25 mil. Moisés também trabalha com projetos na área de finanças para companhias americanas de primeira linha. Seu padrão de vida – sobre o qual não dá detalhes – ganhou muita qualidade desde que partiu para a consultoria. Mas Moisés faz um adendo:

– Não é que estejamos ricos. O que eu acho é que somos profissionais que estudamos muito, tivemos muita qualificação. E isso realmente é valorizado pelo mercado num país em que isso não é verdade para todos os trabalhadores – diz Moisés.