Os profissionais prometem uma manifestação
pacífica, sem piquetes ou bloqueios nas estradas,
como ocorreu ontem em Curitiba.

Os caminhoneiros de todo o Brasil estão mobilizados em mais uma greve que quer chamar a atenção do governo para reivindicações da categoria. Eles prometem uma manifestação pacífica, sem piquetes ou bloqueio nas estradas. Entre as reivindicações da categoria estão a redução de 30% no valor do óleo diesel e congelamento do preço por seis meses, cumprimento do artigo 257 do Código Brasileiro de Trânsito – que divide a multa por excesso de peso entre o caminhoneiro e o embarcador -, adoção de uma planilha de custos e regulamentação do valepedágio.

Ontem, no primeiro dia de mobilização, o Sindicato dos Caminhoneiros do Paraná (Sindicam) divulgava uma redução de 60% na movimentação de caminhões nas estradas do Estado. Nas concessionárias das rodovias, os números se aproximavam: a Ecovia – responsável pelos trechos entre Curitiba e Paranaguá e litoral do Estado, o movimento caiu 42% até o meio da tarde de ontem. A Rodonorte – que administrada os trechos entre Curitiba a Apucarana e Ponta Grossa e Jaguariaíva – informou que a redução era de 30%.

O presidente do Sindicam, Diumar Bueno, disse que somente os caminhoneiros que tinham cargas para entregar estavam nas estradas, e os demais ficariam parados em casa ou nos postos de combustíveis. “A orientação é que eles fiquem parados até termos uma proposta concreta”, afirmou Bueno. O sindicalista falou ainda que não existe uma manifestação por parte do governo para negociar com a categoria. Porém ele adiantou que o ministro dos Transportes, João Henrique de Almeida, já oficiou aos ministérios da Energia, Justiça e Fazenda sobre as reivindicações dos caminhoneiros. “Uma comissão nacional, da qual eu faço parte, vai negociar essas propostas e esperamos agilidade nas resoluções”, ressaltou Bueno.

Paradão

O movimento, chamado de Paradão, espera contar com a adesão das empresas, autônomos, empregados, sindicatos, federações e lideranças das regiões, para exigir do governo promessas não cumpridas nas manifestações anteriores, bem como benefícios previstos em lei. Diumar Bueno disse que a categoria espera o fim da concessão de licença provisória para bitrens, que são compostos rodoviários que transportam até 60 toneladas de carga. Eles também querem a implantação de sistemas de radiocomunicação nos postos de polícia ao longo das rodovias.

Quanto a redução do combustível, Bueno afirmou que isso é emergencial para a categoria, pois ele representa 60% do custo. “Um caminhão que vai do Paraná a Recife, por exemplo, gasta em média R$ 1.350,00 só com óleo diesel”, falou, acrescentando que a queda no preço do diesel teria reflexo direto na economia do País. Outra reivindicação é a regulamentação do vale pedágio, que foi um benefício negociado com a categoria na greve de 1999. Eles querem a criação de um cupom, que será entregue pelo embarcador, e que terá o número de série registrado na nota fiscal da carga; ao contrário do que acontece hoje quando o pedágio é pago junto com o frete.

Segundo números do Sindicam, o Paraná possui hoje a terceira maior frota do País -perdendo apenas para São Paulo e Rio Grande do Sul -, com 80 mil veículos autônomos e 60 mil veículos de empresas. Já no Brasil a frota de caminhões atinge mais de um milhão só de veículos autônomos.