Novembro pesou no bolso dos consumidores da Grande Curitiba. Tanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), quanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontaram que as variações de novembro para a capital estiveram entre as mais elevadas.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em Curitiba fechou o mês de novembro com alta de 1,06% em relação a outubro, que já havia apresentado crescimento de 0,68%.

No ano, o índice geral acumula 6,05% de ajuste nos preços praticados na cidade. Se observar apenas o quesito Alimentos, a escalada dos valores despendidos pelos consumidores daqui é ainda mais avassaladora com novembro registrando 2,08% de aumento, contra 1,95% no mês de outubro.

Entre janeiro e outubro, a região de Curitiba lidera o grupo da alimentação, com alta acumulada de 11,01%, enquanto o índice nacional foi de 8,95%. Já o IPCA total ficou em 0,83% no Brasil, e foi considerado muito representativo dentro da série histórica do IBGE, pois se constituiu no maior índice mensal desde abril de 2005, quando o País atingiu 0,87%.

“O refresco que os preços da carne tinham dado na metade do ano, quando voltou a chover e minimizaram os problemas da estiagem nas pastagens, agora voltaram à tona. Soma-se a esse forte fator, o aumento da demanda tanto interna quanto dos países compradores, e temos um conjunto de razões bem contundentes para explicar a alta dos preços”, enumera a gerente de pesquisas do IBGE, Irene Maria Machado.

Ainda sobre o IPCA do Brasil, verificou-se elevação de 5,63% nos 12 meses terminados em novembro. No acumulado deste ano, o indicador apresentou alta de 5,25%, ultrapassando em 3,93% o mesmo período de 2009.

INPC

O INPC do mês de novembro foi 1,03% para o Brasil e 1,34% para Curitiba. A distância entre a capital paranaense e as demais capitais não se limitou ao 11º mês do ano e, sim, à soma de todas as variações, já que a capital foi a que mais elevou seus preços até agora, segundo o INPC, com 7,25% de variação acumulada. Em contrapartida, o País acumula 5,83% no ano.

Calculado pelo IBGE desde 1979, o índice se refere às famílias com rendimento monetário de um a seis salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília. Já o IPCA mede a variação de preços para famílias com renda de um a 40 salários salários mínimos, qualquer que seja a fonte.

Restaurantes podem ter que repassar os aumentos

O item alimentação fora do domicílio demonstra que o aumento nos preços dos alimentos tem exigido dos restaurantes uma avaliação criteriosa na hora de repassar os preços.

Enquanto o grupo dos Alimentos subiu 2,08% em Curitiba no mês de novembro, a alimentação fora de casa teve alta de 1,70%, sinalizando que parte dos estabelecimentos tem segurado o repasse integral.

Quem mais sofre com essa medida são os locais que servem carnes, já que, em média, o quilo aumentou mais de 10% na capital e, no ano, já acumula quase 30% de reajuste.

“Mexemos nos preços em julho, mas agora teremos que segurar para aproveitar o movimento de dezembro e não piorar em janeiro, que costuma ser fraco”, explica o gerente do restaurante Aroma Mineiro do Shopping Mueller, Salvador da Luz. “A esperança é que a margem de lucro achatada seja compensada pelo volume de clientes atendidos”, afirma.

Já na rede de franquias Spoleto foi autorizado o repasse de parte do aumento da carne. “A partir de amanhã, alguns pratos do cardápio terão um reajuste médio de 3%. Foi inevitável, porque o valor da carne neste patamar está inviabilizando qualquer lucro”, conta a franqueada do restaurante no Park Shopping Barigui, Camila Laureano.

Com a franquia aberta no final de outubro, Camila explica que passou por novembro sentindo uma ampla pressão com os ajustes dos alimentos. “Atendemos quase cinco mil pessoas. O objetivo é que neste mês ampliemos o número de clientes para oito mil e que o repasse ,recupere um pouco das margens de lucro”, analisa.