Para quem não tem dívidas e não sabe qual a melhor destinação para o seu 13.º salário, não pense que pode gastar tudo em presentes de Natal ou em viagens de fim de ano. O conselho dos especialistas é o mesmo daquele dado para quem tem dívidas: cautela.

Para quem quer guardar um pouco de dinheiro, o professor de Economia da UniFae Gilmar Lourenço aconselha, nesse momento de crise, utilizar a poupança ou a renda fixa, dependendo do valor. “Se quiser um rendimento maior, um investimento seguro é comprar títulos do Tesouro Nacional”, diz ele. O professor de Finanças da Faculdade Módulo, Cláudio Carvajal, explica que para quem já investiu em ações, o conselho é manter o investimento e esperar a crise amenizar.

Porém, o professor lembra que também é importante guardar um pouco desse valor – se possível – para as contas de início de ano, pois é em janeiro e fevereiro que chegam IPVA, IPTU, matrícula e material escolar, sem falar nas contas feitas nas férias. Às pessoas que não pretendem guardar e preferem investir o dinheiro, a orientação é fazer as compras de fim de ano antecipadamente. “O comércio já tem uma demanda nesta época do ano, então já é possível comprar os presentes. Sem falar que neste período é mais fácil pesquisar, pois as lojas estão mais vazias”, diz Carvajal. Na opinião de Lourenço, utilizar o 13.º para pagar as compras à vista é uma boa alternativa. “Não acredito que os preços aumentem tanto mais próximo do Natal, mas nesta época é possível pesquisar mais.” O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Sandro Silva completa. “O ideal é sempre pesquisar, comprar somente o essencial e tomar cuidado com as taxas de juros”, orienta.

Ânimo

O Dieese ainda não divulgou o valor que será agregado à economia paranaense com o 13.º salário, este ano. Porém, no ano passado, o órgão contabilizou que este dinheiro a mais que entra no bolso dos paranaenses somou R$ 3,8 bilhões. Os dados desse ano devem ser divulgados nos primeiros 15 dias de novembro.

Aos endividados, muita atenção na hora das compras

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No final de ano é comum adquirir novas dívidas.

A chegada do final de ano gera sentimentos positivos em cadeia. O comerciante fica mais satisfeito porque começa a vender mais por conta do Natal. As pessoas que estavam desempregadas passam a ter oportunidades justamente no comércio.

E, para completar, os trabalhadores que vão gastar mais nas lojas para presentear a família e amigos – o que gera a abertura de novas vagas de emprego – recebem o 13.º salário.

Porém, os economistas e especialistas em finanças dizem que é preciso ter muita cautela na hora de dar um destino para esse dinheirinho a mais que entra nesta época. E os conselhos não servem apenas para quem está endividado, pois até para investir é preciso tomar alguns cuidados, ainda mais em época de crise.

Então, o que fazer com o 13.º salário? Para os endividados, o conselho dos especialistas é um só: pagar as dívidas.

O professor de finanças da Faculdade Módulo, de São Paulo, Cláudio Carvajal salienta que é importante quitar primeiramente as chamadas “dívidas ruins”, como a do cartão de crédito e do cheque especial – cujos juros são altos, chegam a 10% ao m&e,circ;s.

“Quando se trata de dívidas, é sempre bom quitá-las o quanto antes. E quando se tem uma oportunidade como essa, do 13.º, o melhor que se tem a fazer é utilizá-lo para isso”, orienta.

Segundo dados da Serasa, o número de inadimplentes – que não pagam suas contas há pelo menos 90 dias – cresceu 7,6% nos primeiros nove meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. O total de pessoas com dívidas, segundo o Banco Central, chega a mais de 80 milhões de brasileiros, quase metade da população.

A maior parte dessas dívidas é com bancos, em seguida ficam os cartões de crédito e, por último, os cheques sem fundos.

Na opinião do professor de Economia da UniFae Gilmar Lourenço, a mudança do cenário econômico verificada nos últimos dois meses deve ampliar a cautela.

“Como houve uma onda consumista em 2007, o reflexo foi esse endividamento. Hoje, 35% da renda das pessoas está comprometida com o pagamento de dívidas, quando o padrão deveria ser 25%”, comenta.