As mudanças no crédito habitacional anunciadas na noite desta quinta-feira, 28, sinalizam a preocupação do governo com o setor imobiliário, afirmou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins. Para ele, a contínua queda de empregos e o enfraquecimento da atividade econômica na área de construção nos últimos meses levaram as autoridades a adotar as medidas que, “no mínimo, permitem a manutenção” do ritmo de financiamentos.

Na manhã desta sexta-feira, 29, foram conhecidos os números do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre. O setor de construção civil apresentou redução de 2,9% frente a igual período do ano passado.

Diante das notícias negativas para o setor, José Carlos Martins afirmou que o governo teve de agir e está mostrando a importância que a construção tem para economia. De acordo com as previsões da CBIC, está prevista retração de 5% no PIB da construção em 2015. “O governo está começando a mostrar que se preocupa com o setor e a ver a importância dele para a economia”, afirmou.

Na quinta-feira, o governo decidiu liberar os bancos para usar R$ 22,5 bilhões dos depósitos da poupança que são obrigados a manter no Banco Central para desembolsos nas operações de financiamento habitacional. “Antes, tínhamos dois problemas: um mercado mais receoso em temos de compras e a falta de financiamento. Hoje, pelo menos, temos recursos para financiamento”, afirmou o executivo da CBIC.

Outro ponto citado foi a restrição para utilização de títulos e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). Agora, essa ferramenta só será permitida se tiver como lastro financiamentos de imóveis até R$ 750 mil, teto do Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

Anteriormente, os bancos encontravam brecha para usar o CRI ao cumprir a exigência mesmo tendo como lastro imóveis comerciais e casas de luxo, o que agora é vetado. “Através do tempo, o CRI deixou de cumprir o objetivo inicial e agora o Banco Central entendeu a necessidade que essa ferramenta tem para o mercado imobiliário”, afirmou o executivo.

Questionado sobre a elevação dos custos de empréstimos fornecidos por bancos públicos e privados nos últimos meses, o dirigente afirmou que, apesar dessas restrições, os juros continuam baixos em comparação com outros segmentos no Brasil. Novamente, ele buscou ressaltar que hoje, “ao menos, há recursos para o financiamento”.