Seis centrais de trabalhadores fazem uma marcha amanhã, em Curitiba, pedindo a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas. Segundo dados apresentados pelo Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), o crescimento da economia absorveria a redução da carga horária sem representar aumento de custos ao sistema de produção. Além disto, seriam gerados mais dois milhões de empregos. As manifestações vão durar até o dia 1.º de maio. A meta é colher 500 mil assinaturas no estado, que se somarão à de outras unidades da federação. No dia 15 de maio, pretendem entregar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um abaixo-assinado com a participação de 1,5 milhão de trabalhadores.

Os trabalhadores afirmam que a redução da jornada de trabalho não trará nenhum prejuízo aos empregadores. Segundo o supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro, nas últimas décadas a produtividade de vários setores aumentou muito. Ele diz que o da indústria, por exemplo, subiu 4,5 % nos últimos 12 meses. O emprego de novas tecnologias e o ritmo intensivo de produção são apontados como os responsáveis pelo incremento.

Com o aumento da produtividade, as empresas passaram a ganhar mais. Mas os sindicalistas reclamam que a conta ficou com os trabalhadores. As doenças laborais são apontadas como as grandes vilãs. De acordo com os sindicatos, no setor de abatedouros agrícolas, por exemplo, há 40 mil funcionários no Estado e cerca de 100 são afastados diariamente de suas atividades. O ritmo de trabalho e a quantidade excessiva de horas extras são apontados como causas.

Segundo os sindicalistas, a redução da jornada de trabalho além de proporcionar mais qualidade de vida aos trabalhadores também vai gerar dois milhões de novos postos de trabalho, sendo 130 mil só no estado. Desta forma a economia também sai ganhando. Cid explica que nos últimos três anos foi o consumo interno que manteve o crescimento do país. A população teve mais acesso ao crédito e os salários tiveram aumento real.

Amanhã, eles se reúnem, às 9h, na Praça Santos Andrade, em Curitiba, e seguem em passeata até a boca Maldita. Além disto, até o dia 1.º realizarão vários eventos e farão a coleta das 500 mil assinaturas. Segundo eles, querem atingir a marca de 1,5 milhão para entregar ao presidente Lula, pedindo que envie ao Congresso Nacional um projeto de lei para reduzir a jornada. A última ocorreu em 1988, de 48 horas semanais de trabalho baixou para 44. Hoje países como Estados Unidos e França já tem carga horária de 40 horas e outros países como Espanha e Austrália de 36.